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Os quatro segredos para a boa saúde – incluindo boa saúde dos olhos
Destaques da conversa
30 de novembro de 2005

Norma Devine, editora da versão original em inglês

Francisco M., tradução

João França Lopes - médico, revisão, 28 de dezembro de2005

 

 

Na quarta-feira, 30 de novembro de 2005, o Dr. George Spaeth, especialista em glaucoma do Wills, e o grupo de conversa sobre glaucoma discutiram " Os quatro segredos para a boa saúde – incluindo boa saúde dos olhos "

 

Moderator:  Dr. Spaeth, o tópico de hoje à noite diz respeito à boa saúde. Você gostaria de começar a discussão?

 

Dr. George Spaeth:  Sim. Saúde é algo que todos nós queremos. Mas praticamente a única coisa que podemos controlar que afeta a saúde é como nós vivemos. Mesmo assim, poucas pessoas fazem o que é melhor para elas. Nós não podemos alterar nossos genes ou até mesmo muito nosso ambiente. Mas nós podemos afetar, até certo ponto, como nós vivemos.

 

P: Eu quero ter uma vida mais saudável, mas como eu faço para começar e persistir?

 

Dr. George Spaeth:  Você faz isto percebendo que é a coisa mais importante que você pode fazer, e se lembrando que você pode fazer isto. Por exemplo, quando você vê seu médico, você lhe fala o que realmente está acontecendo com você do ponto de vista de sua energia, sua visão, suas preocupações?

 

Moderator:  Ok. Parece bom.

 

Dr. George Spaeth:  Eu tentei simplificar isto concentrando em algumas áreas. A primeira tem que ver com bom senso e com escutar nosso corpo. Por exemplo, todos nós sabemos que glaucoma diz respeito à pressão intra-ocular, discos óticos e campos visuais. Mas glaucoma realmente não é sobre essas coisas. É sobre como nós nos sentimos e como nós funcionamos.

 

Assim, a pergunta mais importante que o médico pode perguntar e o paciente pode responder é, "Como você está?" Eu quero começar falando sobre a importância dos sintomas do glaucoma. Alguma pergunta?

 

P:  Eu pensei que não havia sintomas até que o glaucoma estivesse avançado.

 

Dr. George Spaeth:  Se você não tiver nenhum sintoma, por definição você está bem. Na realidade, você provavelmente não precisa de qualquer tratamento. Mas assim que você começar os tratamentos, você adquirirá alguns sintomas. Essa resposta pode chocá-lo, mas eu quero que você pense cuidadosamente nisto. Qual é o propósito de tratar você? Só prevenir você de piorar da sua deficiência, se você já a tem, ou lhe impedir de adquiri-la.

Considere que ninguém começa com sintomas. Ninguém começa com dano. Assim você tem que adquirir muito dano antes de você adquirir sintomas. Nosso trabalho como médicos é determinar para onde você vai. A menos que você vá piorar rapidamente ao ponto que você desenvolva eventualmente alguma deficiência, não há nenhuma justificativa para o tratamento.

 

P:  Você está dizendo que o paciente define os sintomas. Eu sou um paciente de glaucoma recentemente diagnosticado. Eu não sei que sintomas procurar.

 

Dr. George Spaeth:  Sintomas são o que você sente. Um sintoma é dor, ou dificuldade em ver no escuro, ou olhos que coçam, etc. O paciente diz ao médico: "Eu sinto dor." "Eu não vejo tão bem." " Eu tenho mais dificuldade para leitura, etc.” Esses são sintomas. Agora minha suposição é que a maioria de vocês aqui já tem sintomas. Quantos têm sintomas porque não podem ver bem, e quantos por causa dos tratamentos?

 

P:  Eu sofro efeitos laterais dos medicamentos, mas não há nenhuma alternativa neste momento.

 

P:  Meus olhos sentem muito cansaço a maior parte do tempo. Eu pensei que isso era dos vários tipos de gotas que eu uso, mais do que do próprio glaucoma de tensão normal.

 

Dr. George Spaeth:  O que o faz pensar que você tem glaucoma? Ou, mais especificamente, o que é glaucoma?

 

P:  Eu tenho muito dano e o colírio Alphagan me deixa cansado e afeta meu ritmo cardíaco (48 batidas por minuto).

 

P:  Eu tenho 27-anos e fui diagnosticado com glaucoma de tensão normal. Minha pressão intra-ocular é 14 mm Hg em ambos os olhos, meus nervos ópticos estão aumentados, e um teste de campo visual mostrou alguma perda de visão no topo de meu campo de visão. Eu não notei qualquer perda de visão, mas meu médico diz que o teste mostra que eu perdi visão.

 

Dr. George Spaeth:  Se você está bem, nós estamos começando a chegar a algum lugar. O que aconteceria a você se não fosse tratado? Faça a seu médico esta pergunta. Se ele não puder responder, pergunte: "Por que você está me tratando então?"

 

P:  Eu não sei o que aconteceria se eu não fosse tratado. Os médicos dizem que eles estão tentando prevenir dano.

 

Dr. George Spaeth:  Por que eles querem prevenir dano? O que eles e você querem prevenir é deficiência. Dano e deficiência são coisas diferentes. Se você já tiver dano, você ficará pior provavelmente, mas você ficará pior suficientemente rápido para causar deficiência? Você, seu campo visual e seu disco ótico são coisas diferentes. É você que nós deveríamos estar tratando, não sua PIO , seu disco ou seu campo visual.

 

P:  Eu nunca tive qualquer sintoma, até mesmo quando minhas pressões intra-oculares eram 48 mm Hg.

 

Dr. George Spaeth:  Quando sua PIO é 48 mm Hg, você está em grande perigo de ter uma veia bloqueada (oclusão de veia retinal). Assim, o tratamento é necessário para prevenir isso.

 

P:  Você não está sugerindo que dano não é importante, está?

 

Dr. George Spaeth:  Dano é realmente importante; não pense que eu estou dizendo que não é. Mas se você não tem qualquer tipo de dano, então por que pensar em tratamento, se o dano precoce não faz você estar pior?

 

P:  Entendo que reduzindo a PIO, há menos probabilidade de perda de visão. Reduzir a pressão não reduz a taxa de progressão da doença? Se não é o caso, então por que nós estamos pagando por drogas e estamos lidando com os seus efeitos colaterais?

 

Dr. George Spaeth:  Você tem razão. Mas 95% dos que têm pressão elevada nunca desenvolverão qualquer sintoma de glaucoma, até mesmo se eles nunca forem tratados.

 

P:  Eu estou confuso e não sei que direção tomar. Meu médico me fala que eu poderia perder a visão se eu não usar colírio, mas você está dizendo que até que eu comece a ter dano, eu não deveria usar o medicamento para prevenir isto.

 

Dr. George Spaeth:  Vale a pena tratar 95% das pessoas desnecessariamente? Não! O que é preciso é como um vídeo, não uma fotografia. Tratamento racional requer que a taxa de mudança seja conhecida. Se você tem um ano para viver e você tem 5% de chance de sua visão piorar em 10 anos, não faz sentido tratar você.

 

P:  Mas se você for um dos 5%, teria má sorte se não fosse tratado. A que ponto você começaria o tratamento? Quer dizer, quanto dano você teria que ter para começar o tratamento?

 

Dr. George Spaeth:  Se você não tem nenhum sintoma e você está sendo seguido cuidadosamente, ficará aparente se você será um desses 5%. Neste momento, você começará o tratamento. Mas não se concentre na discussão de não tratar. Eu também estou falando sobre o problema do tratamento insuficiente. Se uma pessoa estiver piorando, é realmente essencial tratá-la vigorosamente.

 

Moderator:  Dr. Spaeth, alguns dos participantes parecem estar confundidos sobre o que você está dizendo.

 

Dr. George Spaeth:  O que eu estou dizendo é altamente não convencional. Eu estou dizendo isto porque o que eu quero comunicar é que a coisa importante para considerar é como você se sente e como você se sentirá. Coisas como PIO são só sinais, mas eles são indiretos e são freqüentemente enganosos. Você precisa perguntar a seu médico por isso.

 

Mas olhemos para o outro lado. Quase diariamente eu vejo pacientes que me falam que eles estão piores, mas os seus médicos dizem que eles estão bem, porque sua PIO está boa, ou o seu campo está bom. Se uma pessoa pensa que está ficando pior, ela está pior. O ponto é que o trabalho dos pacientes é comunicar os seus sintomas claramente para o médico. Só os pacientes sabem como eles estão se sentindo.

 

P:  Suas declarações aqui não estão em conflito com a de seus colegas? Parece-me que muitos oftalmologistas estão tratando pacientes suspeitos de glaucoma preventivamente.

 

Dr. George Spaeth:  Eu estou em desacordo com 90% de meus colegas. Lembre-se que os médicos odeiam a idéia de deixar qualquer pessoa piorar enquanto são tratados por eles. E eu também, mas não quero fazer com que qualquer pessoa piore desnecessariamente.

Isto é sobre estilo de vida. Escutar a você mesmo é o ponto número um. Acredite em sua própria habilidade para determinar como você está. Ninguém sabe melhor que você. Mas seja honesto!

 

P:  Qual é o segundo ponto?

 

Dr. George Spaeth:  Aprender. Mais de 50% das pessoas que têm glaucoma não têm nenhuma idéia do que é o glaucoma. A maioria não sabe nada. Muitos pensam que glaucoma é pressão elevada, o que não é. Pacientes que aprendem se eles realmente precisam ser tratados ou não e por que , vão melhor. Onde você pode aprender? Aqui é um lugar. Você pode usar outras fontes da Internet, e, o mais importante, grupos de apoio a pacientes.

 

P:  Entendo, lendo a literatura, que na seqüência de eventos que conduzem à morte de células ganglionares, qualquer dano ao nervo ótico, cedo ou tarde, predispõe o nervo a dano adicional. Quer dizer, um nervo danificado é susceptível a mais dano. Então, você começaria o tratamento aos primeiros sinais claros, objetivos, de dano demonstrável (escavação progressiva mais deficiência funcional) independente de como o paciente se sentisse.

Você parece pensar diferente. Eu não vejo como os sentimentos subjetivos de um paciente sobre os seus sintomas devam substituir os sinais clínicos estabelecidos, objetivos, que definem esta doença.

 

Dr. George Spaeth:  Considere isto: Aproximadamente há 20 anos atrás, Dr. Y. Shiose* deu a uma população de pessoas normais, colírio de esteróide. Um terço dela adquiriu pressões ascendentes. Ele continuou os colírios até que eles desenvolvessem escavação do disco e então perda de campo visual. Então ele parou as gotas, as escavações foram embora, a perda de campo desapareceu, e as pressões voltaram a normal. Pergunte a seu médico por esse estudo.

 

*[Nota da editora: Shiose, Y. Veja: "5 perguntas com George L. Spaeth, MD, FACS" http://www.glaucomatoday.com/pages/0504/09.html]

 

P:  Eu tenho o melhor médico, mas ele não quer, ou tem tempo para, discussões prolongadas sobre como eu me sinto. Ele quer saber as respostas às perguntas dele. Ele tem uma assistente que registra o que ela pensa ser pertinente. Eu posso tentar repetir coisas, mas não tenho nenhuma resposta.

 

Dr. George Spaeth:  Ser um médico é realmente difícil, porque o tempo que você tem com o paciente é muito curto. Mas não deixe o consultório até que suas perguntas sejam respondidas. Todas elas. É seu direito como paciente.

 

P:  Ao invés de nos falar coisas que não sabemos, por que não nos fala o que é glaucoma?

 

Dr. George Spaeth:  O que eu estou tentando dizer é que glaucoma é uma palavra perigosa, que significa coisas diferentes a pessoas diferentes. Significava usualmente cegueira não inflamatória. Anos atrás, glaucoma significou PIO maior que 21 mm Hg. Agora é definido como uma neuropatia óptica. Todas as definições eram certas no sentido de que elas eram o que as pessoas pensavam na ocasião. Todas elas estavam erradas, na medida em que as definições mudaram. O que não muda é o que as pessoas sentem. Se as pessoas sentirem-se bem, elas estão em condição melhor do que se elas não se sentem bem.

 

P:  Se você espera até que você se sinta indisposto, então talvez dano evitável já tenha acontecido. Se você tiver um suspeito de glaucoma em observação, com que freqüência você vê aquele paciente?

 

Dr. George Spaeth:  Isso depende da pessoa e do exame. Normalmente uma vez por ano. Médicos deveriam tratar os indivíduos. Algumas pessoas com pressões altas adquirem deficiência e algumas não. O desafio é tratar os que adquirirão, e não tratar os que não vão. O nível de pressão não distinguirá a primeira pessoa da segunda. Porém, observando a pessoa com o passar do tempo e desenvolvendo um "vídeo” irá. A pessoa está ficando pior? Nesse caso: perigo!

 

P:  Doutor, você está me assustando.

 

Dr. George Spaeth:  O que eu estou dizendo é muito assustador. Eu estou dizendo que você precisa assumir a responsabilidade por sua saúde. Seu médico é o sócio minoritário, e você é o sócio principal. Todos vocês sabem disto, o que é o motivo de estarem aqui.

 

P:  O problema é que eu não sou quem passou todos esses anos aprendendo a ser um especialista em glaucoma!

 

[Nota: Neste momento, Dr. Spaeth perdeu a conexão de sua Internet.]

 

P:  Eu não sei sobre os outros, mas isso que o Dr. Spaeth está dizendo está me dando um nó no estômago. É muito assustador!

 

P:  você não tem que confiar em seu médico em algum ponto?

 

P:  Eu estou impressionado que Dr. Spaeth encontrou tempo hoje à noite para nós. Ele é sempre espirituoso e excitante.

 

Monitor:  : Eu gostaria de sugerir que todos vocês lessem os destaques das precedentes conversas com o Dr. Spaeth. Ele nos atinge com idéias novas.

 

[Nota da editora: Dr. Spaeth tentou, mas não pôde restabelecer a conexão a conversa. Depois, ele cedeu generosamente seu tempo para escrever o seguinte.]

 

Qual era minha mensagem? Nenhuma pessoa pode mudar seus genes ou o macro-ambiente nos qual vive--guerra do Iraque, poluição da água, ar que respiramos, e assim sucessivamente. O que nós podemos mudar é como vivemos; e como nós vivemos afeta se somos saudáveis ou não. Pessoas são provavelmente mais saudáveis quando elas:


1. Escutam a si mesmas (uma habilidade tão desenvolvida em muitas tribos aborígines que as mulheres podiam exercer controle sobre a natalidade simplesmente pelo modo como elas viviam, ficando férteis ou estéreis à vontade, uma habilidade tão pouco desenvolvida na maioria de nós que não podemos nem mesmo nos dar conta quando estamos doentes). O trabalho principal dos pacientes é escutarem a si mesmos e agir de acordo com o que eles ouvem, incluindo contar para aqueles que influenciam a sua saúde, como os seus médicos.


2. Aprendem: Pessoas que sabem que comidas provavelmente melhoram a saúde e que comidas prejudicam a saúde vão melhor que aquelas que não sabem. Pessoas que sabem como selecionar um médico competente fazem melhor que aquelas que não sabem. Pessoas (inclusive médicos) que sabem que nervos ópticos em algumas pessoas podem ser danificados por pressões intra-oculares (PIO) de 13 mm Hg e em outras pessoas não são danificadas por PIO de 30 mm Hg sabem que apenas considerar pressão intra-ocular não vai proteger o nervo óptico. Então, eles serão céticos a respeito de médicos ou companhias farmacêuticas que lhes falam que eles não precisam de tratamento porque sua PIO é 12 mm Hg, ou precisam de tratamento porque é 30 mm Hg.

 

Conhecimento é poder. Mas muito de que as pessoas pensam que sabem ou são ensinadas é, infelizmente, errado. Assim, aprender a duvidar, aprender a pesar evidências, aprender a separar o que se pode acreditar e o que não se pode acreditar é central, é a parte mais importante do processo de aprender. Nossa cultura nos ensina como nos considerar como vítimas, mas não nos ensina como ser céticos de um modo positivo.

 

Nossa cultura nos ensina a desafiar figuras de autoridade, porque é bom ser um rebelde. Não nos ensina que nós precisamos desafiar figuras de autoridade para ajudar essas pessoas a fazer melhor o trabalho delas, de forma que elas possam nos ajudar a nos relacionar mais de perto com elas e podermos ser guiados mais vantajosamente por elas. Médicos precisam ouvir seus pacientes quando eles estão confusos ou pensam que o médico não os entende ou está fazendo uma recomendação imprópria. É um sinal de confiança enorme, não de desconfiança ou rebeldia, quando o paciente disser: "Xi, doutor, isto não faz sentido. Por que você quer que eu faça isso?"

 

Assim, segundo ponto, para sermos saudáveis, temos que aprender. Aprenda fatos, aprenda processos--tal como como aprender e como desafiar e como interagir com outras pessoas e com a natureza e com o espírito--porque tudo isto pode nos ensinar. Grandes pacientes ensinam seus médicos, e grandes médicos aprendem mais com seus pacientes, que com outros médicos.

 

3. Quando nós vivermos da maneira que vivíamos milhares de anos atrás, quando nossos corpos e mentes estavam evoluindo, seremos mais saudável . Nossos genes, nossas enzimas, nossos corpos, e mentes são só extensões dos de nossos progenitores. Eles ficaram milhares de anos em fabricação. Nós precisamos de sol, nós precisamos de exercício, nós precisamos de sono, nós precisamos brincar e lutar em grupos, nós precisamos erguer coisas pesadas, escalar árvores, e cavar o chão. Foram esses tipos de atividades que formaram nossos corpos e mentes, e elas ainda são muito poderosas em fazer-nos fisicamente, emocionalmente, e espiritualmente poderosos. Nós precisamos comer quantias pequenas de muitas coisas, e de vez em quando, quantias grandes de algumas coisas.

 

4. Finalmente para ser saudável, nós precisamos amar. Apaixonar-se pode ser nossa maior alegria e nossa maior responsabilidade social. Amor está no centro da criatividade construtiva e de toda ligação poderosa.

 

Agora algumas observações específicas relacionadas a perguntas e observações no “chat” para o qual não tive oportunidade para responder.


Sintomas são o que uma pessoa sente. Os sintomas podem ser causados por uma doença, um estado mental, ou um tratamento. Uma pessoa cujos olhos doem por causa dos efeitos colaterais do colírio tem sintomas causados pelo tratamento. Sintomas só são conhecidos pelo paciente. Bons médicos podem obter pistas pelo semblante ou movimento da pessoa, mas o melhor modo para os médicos saberem que sintomas têm um paciente, é o paciente dizê-los para o médico. Não é tarefa do paciente explicar o sintoma (embora isso às vezes possa ajudar). A tarefa do paciente é dizer, "quando eu pus a gota em meu olho, meu estômago doeu."

 

Não importa quão louco o sintoma pareça, é tarefa do paciente descrevê-lo tão com precisamente quanto possível. É então tarefa do médico compreender isso. Como os pacientes podem não fazer associações que são úteis, o médico deveria ajudá-los.

Por exemplo, quase todos os homens que usam Timolol ou um medicamento semelhante precisam ser perguntados: "Você teve uma mudança em sua vida sexual desde que começou a usar Timolol?" Isso precisa ser perguntado por que poucos pacientes darão esta informação ao oftalmologista. Afinal de contas, eles pensam, aquele colírio não pode estar tornando uma ereção difícil. Não obstante, pode! Os pacientes não devem ser seletivos sobre o que eles sentem, só falando ao médico o que eles pensam ser importante. Pacientes têm que falar aos médicos tudo que eles acham não é saudável.

 

Bom cuidado está ligado a sintomas. Meu trabalho é mantê-lo sentindo tão bem quanto possível. A única razão para tentar abaixar a PIO é prevenir deficiência. Mas a maioria das pessoas com PIO elevado nunca desenvolverá deficiência. Por que fazer tais pessoas se sentirem pior com deficiência devido ao tratamento, quando elas nunca adquirirão deficiência mesmo que não sejam tratadas? Assim, antes de começar o tratamento, o médico deve estar bastante seguro de que, na ausência de tratamento, a pessoa ficará incapacitada de algum modo.

 

A correlação entre muitos sintomas e sinais é pobre. (Sinais são o que o médico vê: pressão,escavação, etc.). A correlação entre alguns sintomas e sinais é muito boa. Os médicos passam muito tempo observando os sinais, esperando que os sinais lhes dêem pistas para os sintomas que se desenvolverão. Sinais que se relacionam pobremente a sintomas futuros são nível de pressão, idade, raça, sexo e relação escavação/disco. Um sinal que se relaciona bem a sintomas é o escore de probabilidade de dano ao disco (DDLS).

Assim a que deveria prestar o médico mais atenção? É necessário o médico saber quanto dano está presente (escala 1 a 10); quão rapidamente o dano está progredindo; e quanto tempo irá o dano continuar—o que normalmente é o mesmo que o número de anos que a pessoa tem de vida.

 

A idéia de assumir a responsabilidade por sua própria saúde é tão estranha à maioria das pessoas que é assustador. Quão mais confortável é pôr nossas vidas nas mãos de outrem, como o médico. Eu espero que estes pensamentos ajudem aqueles no “chat” que estavam confusos. Confusão vem de ouvir idéias que desafiam as antigas. Mas como resultado confusão deveria tornar-se um novo e melhor esclarecimento.

 

 

 

 

 

 

 

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