Superando os Desafios de Tratamento em Glaucoma
Destaques da conversa
25 de janeiro de 2006
Edição: Norma Devine
Tradução: Francisco M.
Revisão Técnica: Dr. João França
Lopes
Na quarta-feira, 25 de janeiro de 2006, Dr. Jeff Henderer, especialista
em glaucoma no Wills, e o grupo de conversa sobre glaucoma discutiram:
“Superando os Desafios de Tratamento em Glaucoma."
Moderador: Dr.
Henderer, hoje à noite nós gostaríamos de
discutir como o senhor supera os desafios do tratamento de glaucoma
dos pacientes.
Dr. Jeff Henderer: Isso
é um tópico difícil.
Moderador: Quais são alguns dos desafios que o senhor enfrenta?
Dr. Jeff Henderer: Bem, eu imagino que há desafios grandes
e pequenos. Desafios grandes seriam coisas como 50% das pessoas
com glaucoma não sabem que têm a doença. E
isso em países desenvolvidos. Desafios menores seriam coisas
como muitas pessoas não usam seus colírios como
deveriam.
Moderador: Poderíamos começar com o grande desafio
de ajudar as pessoas que não sabem que têm glaucoma?
Dr. Jeff Henderer: Como conseguimos que as pessoas fiquem interessadas
com sua própria saúde, para levá-las ao médico
e então conseguir que eles usem os colírios?
Moderador: Sim.
Dr. Jeff Henderer: Exame para glaucoma é um de meus interesses
principais. Nós desenvolvemos um protocolo de exame muito
bom, mas observou-se que só aproximadamente 20% daqueles
que nós achávamos que precisavam de acompanhamento
assim o fizeram.
Moderador: Estou ajudando a formar uma organização
nova, “Association of International Glaucoma Patient Organizations
(AIGPO)”, para ajudar pessoas em outras áreas do
mundo a começar grupos de apoio.
Dr. Jeff Henderer: Acho ótimo. Mas nós estamos “chovendo
no molhado” aqui. Precisamos levar a mensagem a todos aqueles
que não estão participando hoje à noite.
Harry Quigley, famoso especialista em glaucoma do Johns Hopkins,
sugere que o lugar para começar seja com os membros da
família de cada paciente de glaucoma. Isso seria ótimo!
Moderador: A maioria dos que fazem os exames para glaucoma vê
um oftalmologista quando isso é recomendado?
Dr. Jeff Henderer: Parece que as pessoas que fazem os exames de
glaucoma estão cientes do problema de glaucoma e têm
acesso a um médico, mas preferem não ir. Não
sei por que.
P: Eles precisam
receber um telefonema perguntando se marcaram uma consulta com
um médico.
P: O que o senhor quer dizer por um "exame de glaucoma”?
Isso é um exame ocular ou uma série de perguntas
feitas para avaliar fatores de risco?
Dr. Jeff Henderer: Nós vamos a um local, normalmente asilos
de idosos, onde há probabilidade de haver pacientes de
glaucoma. Nós testamos visão, pressão intra-ocular,
olhamos o nervo óptico, testamos o campo visual, e indagamos
sobre uma história familiar de glaucoma. Nós fazemos
então um encaminhamento.
Moderador: O senhor tem uma “van” com equipamentos
dentro?
Dr. Jeff Henderer: Normalmente, eu apenas dirijo meu carro. Mas
outros também estão interessados em exames para
glaucoma. Por exemplo, os Amigos da Fundação da
Convenção Partidária de Glaucoma do Congresso
têm sido prestativos promovendo exames de glaucoma. Eles
têm “vans” equipadas para exames de glaucoma
móveis. Na realidade, nós fizemos um exame de glaucoma
sábado passado em um centro comunitário em Delaware.
P: Exames de glaucoma melhorariam se mais optometristas usassem
um tonômetro, em lugar do teste de ar comprimido, para checar
a pressão intra-ocular?
Dr. Jeff Henderer: Acontece que exame de glaucoma usando somente
pressão intra-ocular é como jogar uma moeda. Não
é muito útil para identificar casos de glaucoma.
O melhor modo para examinar, em minha opinião, é
olhar o nervo óptico, da mesma maneira que nós fazemos
no consultório. Isso pode ser difícil de ser feito,
por causa da dificuldade inerente de tal exame, mas é o
melhor modo.
P: Talvez o que seja preciso seja mais conscientização
pública através de campanhas publicitárias
intensivas, como essas utilizadas para encorajar as pessoas acima
de idade 50 a fazerem uma colonoscopia ou mulheres a fazerem mamografia
anual.
Dr. Jeff Henderer: Você tem razão quanto a outras
doenças terem boa publicidade. Glaucoma realmente não
tem. Nós estamos trabalhando nisso através da Fundação,
que faz o trabalho de relações públicas.
O Dr. George Spaeth estará na televisão semana que
vem, no Canal local 8.
P: É uma pena que a audiência será tão
limitada para a entrevista do Dr. Spaeth na TV.
P: A maioria dos pacientes de glaucoma é assintomática
até que uma quantidade considerável de perda de
campo visual acontece. Que porcentagem seria percebida mais rapidamente
pelo exame de glaucoma, quer dizer, entre o tempo do início
do dano do nervo óptico e o surgimento de dano de campo
visual?
Dr. Jeff Henderer: Provavelmente é muito pedir para diagnosticar
os pacientes com glaucoma muito, muito precoce. Há muita
sobreposição entre normal e doença inicial.
Nós provavelmente faríamos melhor achando aqueles
que estão mais adiantados no curso da doença. Lembre-se,
quanto mais sensível você torna um teste, mais provável
será considerar pessoas normais como doentes. Isso vem
a um preço emocional e financeiro grandes. Nós temos
que equilibrar exames de glaucoma com exames de outras doenças,
também. Isso é o que a cidade da Filadélfia
disse a mim: "Ok. Nós faremos exame de glaucoma, mas
então nós não poderemos fazer exames de diabete."
Como eu iria argumentar assim? Não há tanto dinheiro.
P: Dr. Henderer, muitos dos pacientes aqui esta noite que estão
nos seus 50 anos pensavam que glaucoma era uma doença de
idoso.
Dr. Jeff Henderer: Excelente ponto. Glaucoma pode ocorrer em qualquer
idade. A maior parte do tempo, o risco para glaucoma começa
a subir quando a visão para leitura começa a minguar,
ao redor dos 40 anos. Isso significa que as pessoas estarão
se dirigindo a um oftalmologista de qualquer modo, assim nós
podemos examiná-los então para glaucoma. História
familiar tem um papel importante na identificação
daqueles que podem desenvolver a doença mais cedo durante
a vida.
P: O tipo de glaucoma visto em pessoas mais velhas (60 anos ou
mais) não é passível de progredir mais lentamente
que em pessoas abaixo desta idade? Nesse caso, por que não
antecipar o exame de glaucoma para o grupo mais jovem?
Dr. Jeff Henderer: Eu concordo que o glaucoma parece ser mais
agressivo em pessoas jovens. Mas é tão incomum neste
grupo que é como procurar uma agulha em um palheiro. Você
acaba achando mais palhas com forma de agulha que agulhas de verdade.
P: Aderência ao tratamento pelo paciente deve ser um desafio
para os oftalmologistas. Como, além de inspecionar as prescrições
dos pacientes, pode o senhor dizer se eles estão seguindo
o tratamento?
Dr. Jeff Henderer: Bem, a maioria dos colírios causa vermelhidão
no olho. Quando eu vejo um paciente cujos olhos não estão
vermelhos, eu fico desconfiado. Além disso, é difícil
saber. Lembre-se, as pessoas que vão ao médico são
por definição mais prováveis de seguir a
prescrição. São as pessoas que não
voltam que nos preocupam mais.
P: Além da descoberta precoce e de não seguir o
tratamento, o senhor encontra outros desafios de tratamento?
Dr. Jeff Henderer: Provavelmente a próxima situação
mais comum é o paciente que não responde à
medicação. Às vezes trocar os colírios
pode ajudar e às vezes você tem que considerar cirurgia.
Eu também preciso mencionar que constantemente lutamos
para avaliar a progressão da doença. Isso é
um termo particularmente mal definido. Às vezes pode ser
um real desafio avaliar a progressão. Agora, se há
uma história familiar, então estas pessoas precisam
ser examinadas. Esta é a razão pela qual eu tento
mencionar aos meus pacientes que seus filhos e irmãos devem
ser examinados.
P: Pacientes que têm dificuldade em controlar seu glaucoma
ficam estáveis, ou eles sempre têm este problema?
Dr. Jeff Henderer: Eu suponho ter memória seletiva sobre
isso. Parece-me que glaucoma difícil é difícil.
Não estou muito seguro por que isso ocorre. Um trabalho
na França, não faz muito tempo, descobriu que as
pessoas com uma certa mutação genética eram
menos prováveis a responder à medicação
e normalmente precisavam de cirurgia. Nós ainda estamos
estudando isto.
P: O que o senhor acha dos bebês recém-nascidos serem
examinados para glaucoma congênito primário de forma
que pediatras possam diagnosticar glaucoma no nascimento e iniciar
o tratamento?
Dr. Jeff Henderer: Eu sou a favor do conhecimento. Não
há dúvida que tratar o glaucoma congênito
cedo na vida é crítico para permitir à visão
desenvolver-se. Qualquer coisa que ajude a identificar aqueles
que têm a doença é útil para mim.
P: O senhor considera reações alérgicas às
medicações e/ou aos conservantes usados em muitos
colírios um desafio de tratamento? Com que freqüência
o senhor encontra este tipo de problema e como o senhor lida com
ele?
Dr. Jeff Henderer: Eu o classifico na categoria de “não
respondendo a medicamentos", embora obviamente haja uma diferença
entre “não ser possível de usar" e "não
abaixar a pressão intra-ocular." Freqüentemente
este problema não pode ser superado. Você poderia
tentar colírios com outros conservantes (Alphagan P), ou
menos conservantes (Lumigan), ou você poderia tentar colírios
sem conservantes (timolol ou pilocarpina), ou poderia ter que
considerar cirurgia.
P: O senhor alguma vez teve que lidar com um paciente que desenvolveu
a síndrome “Stevens-Johnson”, onde reação
e destruição de tecido eram severas? [Nota da editora:
síndrome “Stevens-Johnson” tipicamente envolve
a pele e as mucosas.]
Dr. Jeff Henderer: Eu nunca vi um paciente com síndrome
“Stevens-Johnson”.
P: O número de desafios de tratamento que nós, pacientes
de glaucoma, enfrentamos parece estar devastador. Eles incluem
encontrar quais, se houver, medicamentos funcionam e lidar com
os seus efeitos colaterais; preocupar-se com cirurgia, suas complicações
e potencial de falha; progressão do glaucoma, apesar dos
melhores esforços do médico. Os desafios para nós
parecem nunca terminar.
Dr. Jeff Henderer: Isto é verdade para qualquer doença
crônica, de pressão alta a diabetes. Eu suponho que
todos nós podemos estar agradecidos em termos uma maior
variedade de medicamentos, com geralmente menos efeitos colaterais.
Técnicas cirúrgicas estão melhorando, coisas
novas estão sendo estudadas e, para a maioria das pessoas,
glaucoma é uma doença lentamente progressiva.
No fim de semana passado eu li no jornal da Filadélfia
sobre um pesquisador que tentou descobrir o que fez as pessoas
de muito bem sucedidas, sucedidas . É inteligência?
Dinheiro? Mostrou-se que o denominador comum é o desejo
de vencer. São esses que com mais afinco tentam que freqüentemente
vão ao topo , que é a razão das salas de
“chat” como esta serem tão valiosas. Esta sala
de “chat" oferece apoio por manter-se a briga.
P: Boa analogia. Glaucoma é uma batalha para a vida toda!
P: O número crescente de pacientes de glaucoma que têm
acesso à informação médica na Internet
torna tratá-los mais ou menos desafiador?
Dr. Jeff Henderer: Eu gosto de pacientes informados. Significa
que eu posso me comunicar melhor com eles. Infelizmente, a Internet
não permite realmente um “ranking" racional
das coisas. Por exemplo, efeitos sérios são raros,
mas coisas ruins conseguem muita atenção. Em geral,
eu estou a favor dos pacientes terem conhecimento.
P: Qual teste é o mais preciso para medir a PIO (pressão
intra-ocular)?
Dr. Jeff Henderer: O teste mais preciso, ainda é a tonometria
de aplanação Goldmann. Sua nova versão, chamada
TCD (tonometria de contorno dinâmico) deve ser melhor, mas
Goldmann ainda é o padrão ouro.
P: A trabeculectomia é realizada hoje diferentemente hoje,
de digamos, 30 anos atrás?
Dr. Jeff Henderer: Sim! Acontece que nós temos um melhor
entendendo de tudo, desde anestesia operatória à
construção da ferida pelo uso de agentes anti-cicatrizantes.
Está longe da perfeição, mas está
muito melhor. Nós sempre estamos procurando melhorias.
P: O senhor tem alguma informação sobre a nova vacina
que está sendo desenvolvida para glaucoma?
Dr. Jeff Henderer: Eu sei que há algum trabalho em Israel
que sugere que o glaucoma pode ser uma doença auto-imune.
Outros também acharam evidência disto. A vacina é
uma tentativa para prevenir este processo auto-imune. Até
onde eu sei, há evidência em modelos animais, mas
nenhuma evidência em seres humanos de que a vacina seja
útil.
P: Que perguntas deveria fazer um suspeito de glaucoma na primeira
consulta com um especialista em glaucoma?
Dr. Jeff Henderer: Bem, as perguntas mais importantes são:
"Por que eu sou um suspeito? É meu nervo óptico,
minha pressão intra-ocular, meu campo visual, ou minha
história familiar?" Então você saberá
o que seguir com mais atenção.
P: Se a TLS (trabeculoplastia de laser seletivo) se popularizar,
o senhor acha que será aplicado como tratamento primário
para glaucoma?
Dr. Jeff Henderer: Sim, ela ficará mais comum provavelmente.
Mas algumas pessoas não têm ângulos abertos
e algumas não respondem ao laser. Não se esqueça
que não há nenhuma evidência, que eu saiba,
na literatura ”peer-reviewed”, que TLS seja um procedimento
repetível. Nós gostaríamos seguramente que
fosse, mas eu não sei de nenhum estudo indicando que seja.
P: O senhor acha que menos que o número habitual de 50
pontos (180 graus) usado na TLS possa se mostrar mais do que o
realmente requerido para muitos pacientes de glaucoma?
Dr. Jeff Henderer: Eu não sei. Eu acho que as pessoas estão
fazendo TLS de muitos modos para ter-se uma visão clara
dela. Eu gosto de tratar 270 graus, mas eu não tenho nenhuma
evidência para apoiar minha suposição. Mas
economiza algum espaço para depois.
Moderador: A hora voou . Obrigado, Dr. Henderer.
Dr. Jeff Henderer: Obrigado, a todos. Espero que isto tenha ajudado.
Continue o trabalho duro!
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