Complicações que Acompanham procedimentos a laser
Destaques da conversa
8 de fevereiro de 2006
Edição: Norma Devine
Tradução: Francisco M.
Revisão Técnica: Dr. João França
Lopes
Na quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006, Dr. Rick Wilson, especialista
em glaucoma do Wills, e o grupo de discussão sobre glaucoma
discutiram "Complicações que Acompanham procedimentos
a laser”.
Moderador: Boa
noite, Dr. Wilson. Hoje à noite o tópico é
“Complicações que Acompanham procedimentos
a laser". Que tipos de laser o senhor usa?
Dr. Rick Wilson: Eu
uso um argônio, um seletivo, um criptônio (desculpe-me,
Super-homem), e um laser de neodímio-YAG (Nd:YAG).
Moderador: Como
o senhor usa esses laseres?
Dr. Rick Wilson:
Eu uso o laser de argônio para cortar suturas depois de
uma trabeculectomia, o laser seletivo para trabeculoplastia, o
criptônio (um laser vermelho) para cortar suturas se houve
qualquer hemorragia debaixo da conjuntiva, e o YAG para iridectomia.
P: Alguns laseres
são mais seguros que outros?
Dr. Rick Wilson: O laser seletivo parece ser o mais seguro, mas
elevações de pressão pós-operatórias
acontecem.
P: Que tipo de
laser é usado para limpar uma lente intra-ocular embaçada?
Dr. Rick Wilson: Um laser de Nd:YAG é usado para abrir
uma “catarata secundária" embaçada, uma
turvação da cápsula atrás da lente
intra-ocular.
P: Que complicações poderiam acontecer quando um
paciente com uveíte que tenha sido submetido a uma trabeculectomia
tem esse procedimento?
Dr. Rick Wilson: Turvação seria muito mais comum
em um paciente com uveíte. Por causa da inflamação
extra no olho, pode acontecer inchaço na parte posterior
do olho.
P: Há mais ou menos complicações com trabeculotomias
a laser ou com trabeculectomias cirúrgicas?
Dr. Rick Wilson: Complicações pós-trabeculectomia
são menores e normalmente menos severas, embora eu também
tenha visto complicações importantes com perda de
córnea e câmaras planas após laser.
P: o que causa a perda das córneas?
Dr. Rick Wilson: Se muita energia, especialmente na forma de
calor, é liberada na câmara anterior, ela pode cozinhar
o revestimento interno da córnea, fazendo a córnea
tornar-se branca.
P: o que causaria a câmara aplanar-se?
Dr. Rick Wilson: Se uma panfotocoagulação retinal
a laser para retinopatia diabética for muito intensa, pode
fazer com que a coróide inche, empurrando a íris
para frente contra o trabeculado.
P: Há diferenças nas complicações
da trabeculoplastia a laser e iridectomia?
Dr. Rick Wilson: Sim. As complicações mais comuns
de uma iridectomia são sangramento e dano à córnea
ou cristalino. A complicação mais comum de uma trabeculoplastia
é um pico na pressão intra-ocular, embora inflamação
e um olho vermelho possam prolongar-se em alguns pacientes.
P: O que são "sangramentos" e como eles são
tratados?
Dr. Rick Wilson: Um vaso na íris pode ser cortado enquanto
o laser traça seu caminho pela íris, causando hemorragia.
A pressão nas lentes utilizadas para focalizar o laser
elevará a PIO (pressão intra-ocular) o bastante
para estancar a hemorragia.
P: Eu não sabia que uma íris pode sangrar. Minha
íris é deslocada para frente devido à Síndrome
ICE, mas esse tipo de dano não causaria o sangramento da
íris, não é?
Dr. Rick Wilson: A membrana em sua íris puxando-a para
fora parece danificar o suprimento de sangue, assim há
buracos dissolvidos na íris onde o tecido não recebe
fluxo sangüíneo e simplesmente dissolve-se. Em outras
áreas, o tecido é rompido pela membrana. Sangramento
nunca é um problema a menos que a íris esteja cortada.
P: o que é uma iridectomia? Ela resolve o problema permanentemente?
Dr. Rick Wilson: Durante uma iridectomia, um buraco pequeno é
feito na íris. Na maioria dos pacientes com ângulos
estreitos, ela corrige o problema. Entretanto, se houve fechamento
do ângulo previamente, a iridectomia pode não abrir
o ângulo. Uma porcentagem pequena de pacientes com íris
"plateau” não será beneficiada o bastante
para evitar fechamento de ângulo.
P: Eu tive uma dor terrível depois de um dentre muitos
laseres. Dor severa é incomum?
Dr. Rick Wilson: Sim, embora alguns olhos, especialmente aqueles
que já passaram por muitos, sejam mais sensíveis.
P: Qual é a razão principal para a TLS (trabeculoplastia
com laser seletivo) falhar?
Dr. Rick Wilson: A razão principal é um paciente
em que faltem as melhores características para que seja
bem sucedida. O sucesso com o laser está diretamente relacionado
à idade do paciente e ao diagnóstico certo. Quanto
mais velho o paciente, melhor.
O diagnóstico certo inclui glaucoma associado a pseudo-exfoliação
(PSXF), glaucoma pigmentar, glaucoma primário de ângulo
aberto e glaucoma de tensão normal. Precisa-se também
estar com bastante pigmento no trabeculado para absorver a energia
do laser. Eu vejo atualmente muitos pacientes que tiveram um laser
que não funcionou. Isso poderia ter sido predito facilmente
antes da cirurgia a laser.
P: O senhor está usando o laser de TLS exclusivamente
para trabeculoplastia?
Dr. Rick Wilson: Quase exclusivamente, porque nós temos
um laser de TLS. Até que seja provado que uma TLS possa
ser repetida muitas vezes, há pequeno ímpeto para
um médico comprar um aparelho de TLS.
P: Não obstante, julgando pelo número de pacientes
de glaucoma em nosso grupo de discussão que foi submetido
a trabeculotomias, TLS parece ser realizada mais freqüentemente
que TLA (trabeculoplastia com laser de argônio) atualmente.
Dr. Rick Wilson: Acho que é verdade. É uma coisa
nova, que eu espero ser significativamente melhor, mas não
posso ter certeza.
P: Há diferenças no número de complicações
entre TLA e TLS?
Dr. Rick Wilson: Sim. O TLS é um procedimento mais benigno,
embora uma TLA cuidadosa de baixa energia e uma TLS terão
complicações bem parecidas. Os efeitos da TLS no
olho são invisíveis, enquanto que as queimaduras
da TLA podem freqüentemente serem vistas durante visualização
com grande ampliação do trabeculado.
P: Que evento adverso ou condição impediria a repetição
da TLS?
Dr. Rick Wilson: Se a TLS foi bem feita na primeira vez e não
funcionou satisfatoriamente, haveria pouca razão para repeti-la.
P: Disseram-me que se não houver muito pigmento no trabeculado,
a TLS ainda poderia ser feita mudando-se a freqüência
do laser. Eu entendi mal alguma coisa?
Dr. Rick Wilson: A TLS é um YAG com freqüência
dobrada, ajustado para uma freqüência padrão.
Ela não pode ser mudada. O que você pode ter ouvido
refere-se a um estudo sugerindo que a TLS poderia não precisar
de tanto pigmento quanto a TLA para ser bem sucedida. Não
era um estudo forte.
P: Eu tomei uma chuva de pontos negros depois que eu tive laser
para limpar um implante turvo. O que eram esses pontos?
Dr. Rick Wilson: Eram provavelmente pequenos pedaços da
cápsula turva que foi cortada. Eles flutuam na geléia
vítrea até que eles finalmente descem, ficando fora
de sua visão.
P: “Floaters” são comuns após laser?
Dr. Rick Wilson: Só depois de capsulotomias.
P: A TLS Funciona bem em pessoas de olhos azuis?
Dr. Rick Wilson: A cor da íris pouco significa. É
a quantidade de pigmento capturado no trabeculado que possibilita
a energia do laser (Amplificação de Luz por Emissão
Estimulada de Radiação) ser absorvida.
P: Pode o laser às vezes causar visão borrada persistente?
Dr. Rick Wilson: Se o laser atingiu a retina, causou dano corneano
ou uma inflamação intra-ocular séria, o laser
poderia causar visão borrada persistente.
P: Se uma trabeculectomia não está funcionando
tão bem como o esperado, pode o laser (trabeculotomia)
ser tentado?
Dr. Rick Wilson: Ocasionalmente, uma membrana que cubra a abertura
interna do dreno da trabeculectomia pode ser aberta com laser.
P: Pode um nervo pode ser atingido enquanto o laser corte através
da íris?
Dr. Rick Wilson: Provavelmente, mas eu nunca soube que isto seria
um problema.
P: Quão comum é a Síndrome de Íris
"Plateau"?
Dr. Rick Wilson: A Síndrome de Íris "Plateau"
é incomum; talvez 3% de todos os casos de glaucoma de ângulo-fechado.
P: Quantas vezes a iridoplastia pode ser repetida com segurança
em um caso de glaucoma de ângulo estreito e Síndrome
de Íris “Plateau”?
Dr. Rick Wilson: Eu realizei iridoplastia em muitos pacientes
três vezes, mas não mais. Normalmente, a esta altura,
a catarata está pronta para ser removida. A remoção
da catarata resulta em mais espaço na frente do olho.
P: Eu vi imagens comparativas mostrando o trabeculado após
procedimentos de TLA e TLS. Nas imagens de TLA, o trabeculado
é muito enroscado, como um prato de espaguete. Nas imagens
de TLS, o trabeculado parece mais natural, com buracos claros
perfurados através dele. Por que a aparência é
diferente?
Dr. Rick Wilson: Ambos os laseres parecem estimular as células
que revestem o trabeculado a se dividirem. As novas células
formadas são muito mais ativas, comendo os detritos que
surgem no trabeculado e livrando-se deles. O argônio causa
uma pequena queimadura; o efeito da TLS não pode ser visto
apenas com o microscópio de luz.
P: O que acontece ao trabeculado na TLA e na TLS para causar
a perda da efetividade?
Dr. Rick Wilson: Os detritos que causaram o glaucoma original
continuam vindo e finalmente causam o efeito do laser diminuir.
Obrigado por uma grande conversa, Dr. Wilson.
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