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Escala de Probabilidade de Dano ao Disco
Destaques da conversa
15 de fevereiro de 2006

Edição: Norma Devine

Tradução: Francisco M.

Revisão Técnica: Dr. João França Lopes

 

 

Na quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006, Dr. Jeff Henderer, especialista em glaucoma do Wills, e o grupo de conversa sobre glaucoma discutiram a "Escala de Probabilidade de Dano ao Disco."

 

 

Moderador: A primeira pergunta de todos será: O que é a Escala de Probabilidade de Dano ao Disco (“Disc Damage Likelihood Scale” - DDLS)?

 

Dr. Jeff Henderer: A DDLS é uma maneira nova de descrever o nervo óptico. Em vez de uma relação escavação/disco (“cup/disc” - c/d), você gera uma relação de rima/disco (“rim/disc” - r/d) e mede o tamanho do nervo. Isso é melhor por duas razões. Primeiro, você pode eliminar os efeitos do tamanho do disco (que é muito variável na população) e segundo, você pode se concentrar na rima, que é a parte que realmente pode ser danificada.

 

P: Quem desenvolveu a DDLS?

 

Dr. Jeff Henderer: Dr. George Spaeth projetou a DDLS e eu ajudei a testá-la. Muitos “fellows” de pesquisa também ajudaram.

 

P: A DDLS é uma ferramenta de diagnóstico? Uma ferramenta de avaliação de risco? Para que é usada?

 

Dr. Jeff Henderer: Qualquer escala de estágio de disco deveria prover: (1) capacidade de diagnóstico, quer dizer, reconhecer a doença, (2) capacidade para determinar a extensão da doença, (3) capacidade para monitorar mudança. A DDLS tem dez estágios, como a relação c/d, para alcançar essas três metas.

 

P: O que a DDLS fornece ao senhor que não pode ser visto olhando o disco óptico ou um teste de campo visual?

 

Dr. Jeff Henderer: Não muito. Eu imagino que nós só sabemos o que o glaucoma é porque alguém que veio antes de nós descreveu uma alteração de nervo que tinha algumas características típicas. Em outras palavras, é glaucoma porque nós chamamos isto de glaucoma. Não há nenhum exame de sangue. As mudanças do nervo óptico são algo que você pode ver sem a DDLS, mas este sistema de estágio permite a você registrar melhor e comunicar sua observação. Com o campo visual é a mesma coisa. Você pode vê-lo, mas uma escala torna mais fácil registrar suas impressões.

 

P: A DDLS substituirá a relação c/d? A DDLS é largamente usada?

 

Dr. Jeff Henderer: Nós esperamos que a DDLS, ou uma escala como ela, substitua a relação c/d. Atualmente, não é amplamente usada, mas nós esperamos mudar isto. Nós temos modificado a escala ao longo dos anos, e assim criamos confusão para nós mesmos. Agora a balança parece estar concluída, assim veremos.

 

P: Eu fui diagnosticado por um optometrista como um suspeito de glaucoma por causa de larga (0.5) escavação. Então eu fui examinado por um especialista em glaucoma, e fiz um teste de campo visual. O especialista disse que eu não tenho nenhum dano no nervo óptico, meu teste de campo visual está normal, assim como minhas pressões intra-oculares. Em minha situação, a DDLS seria útil?

 

Dr. Jeff Henderer: A DDLS seria muito útil porque mede tamanho de disco. Acontece que como todos nós temos aproximadamente o mesmo número de células nervosas e temos tamanhos de nervos muito diferentes, alguns nervos são mais compactados que outros. Isso significa grandes nervos terão grandes escavações e pequenos nervos pequenas escavações. A relação c/d não leva em conta este fato; a DDLS sim. Sem saber o tamanho do nervo, você não pode saber a quantidade esperada de escavação.

 

P: Em que fase da DDLS acontece normalmente defeitos de campo visual?

 

Dr. Jeff Henderer: Com a mais recente versão da escala para um nervo de tamanho médio, acredito que 4 ou 5 seria a fase que mostraria um defeito de campo. Talvez estágios anteriores, também, mas você esperaria um defeito lá pela 4 ou 5.

 

P: O que seria a relação rima/disco de um nervo óptico sem escavação?

 

Dr. Jeff Henderer: De fato, um nervo sem escavação terá uma relação rima/disco máxima de 0.5. O mínimo seria uma área sem rima, e então nós somamos áreas de perda de rima para registrar cada vez mais dano. A relação rima/disco seria a largura de rima mais estreita sobre o diâmetro do disco naquele mesmo local.

 

P: É fácil aos outros médicos aprenderem e adotarem a DDLS?

 

Dr. Jeff Henderer: A DDLS realmente não é nada além de um sistema que codifica o que todos nós já fazemos. Nenhum médico olha só para a escavação. Todos nós olhamos para a rima. Mas nós registramos a escavação. Um pouco estranho, mas este é o como temos feito desde os anos sessenta. Assim qualquer um pode fazer isto. Agora, lembrar as dimensões do nervo e os detalhes específicos dos estágios reais pode ser difícil, mas não é tão mal.

 

P: É importante fazer o tratamento com o mesmo médico devido à consistência?

 

Dr. Jeff Henderer: Sim, mas se houver uma descrição precisa do nervo no mapa (fotografia, desenho, ou algo assim), então qualquer um estaria apto a entender o que está acontecendo. A que não é muito útil é uma relação c/d isolada. Isso não é muito útil.

 

P: Minha relação escavação/disco é 0.7 direito e 0.5 esquerdo. A DDLS daria alguma informação adicional?

 

Dr. Jeff Henderer: Sim, porque você realçaria áreas de rima anormalmente estreitas e saberia se a assimetria era devido à perda de rima em um olho, ou se é devida a uma assimetria fisiológica (normal) entre o tamanho dos nervos.

 

P: Onde os médicos acham informação sobre o uso da DDLS?

 

Dr. Jeff Henderer: Foi publicada informação sobre DDLS no “American Journal of Ophthalmology” e a versão mais recente da DDLS (ou uma bem perto desta) foi publicada recentemente no “Highlights of Ophthalmology” (2003).

 

[Nota da editora: Veja também ""The Optic Disc: That Which Must Be Understood in Glaucoma and the DDLS" por Dr. Jeffrey. D. Henderer, M.D. http://www.willsglaucoma.org/2003symp/henderer.htm]

 

P: Qual é o futuro da DDLS?

 

Dr. Jeff Henderer: Nós queremos estar seguros que testamos sua validade (quer dizer, como ela se compara ao campo visual) e ver sua performance comparada à relação c/d na detecção de mudança. Nós também precisamos investigar como a DDLS pode ser combinada com o campo visual para criar uma escala de risco de glaucoma global.

O conceito da escala para entender os efeitos de tamanho de disco e registro da rima, não a escavação, é amplamente aceito. Os detalhes da escala não são tão amplamente aceitas, porque é uma coisa nova para aprender e há três escalas (para pequeno, médio, e grandes nervos).

 

P: Meu médico poderia começar a usar esta escala apenas localizando e lendo a literatura?

 

Dr. Jeff Henderer: Sim. É um modo fácil para seu médico aprender a escala.

 

Moderador: Há um bom artigo sobre DDLS e algumas boas fotos no sítio do Wills. [Veja: "The Disc Damage Likelihood Scale and Patient Care" por Ken Parker, Ph.D. em Searchlight On Glaucoma, Vol 12, No. 2, agosto de 2003.] http://www.willsglaucoma.org/searchlight/vol12no2.html

 

P: Há algo que eu não estou entendendo sobre DDLS. Parece-me que um nervo óptico com uma relação c/d de 2/3 teria uma relação rima/disco de 1/3; um nervo com uma c/d de 3/4 teria uma relação rima/disco de 1/4. Em todos os casos, as relações vão até 1, e em todos os casos o senhor ainda está olhando para os mesmos dados, realmente. Eu não vejo qual é a real diferença dos sistemas. O senhor pode explicar um pouco mais?

 

Dr. Jeff Henderer: Eu suponho que se você tivesse um círculo perfeito dentro de um círculo perfeito então não haveria muita vantagem. Mas a escavação e o disco não são círculos. Isso significa que algumas áreas da rima são mais largas que outras. É a perda deste padrão de largura esperado de rima que é realçada pela relação rima/disco. O tamanho do disco é também salientado.

 

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