Terapia Combinada
Destaques da Conversa
1° de março de 2006
Edição: Norma Devine
Tradução: Francisco M.
Revisão Técnica: Dr. João França
Lopes
Na quarta-feira, 1° de março de 2006, Dr. Elliot Werner,
especialista em glaucoma do Wills, e o grupo de conversa sobre
glaucoma discutiram “Terapia Combinada”.
Moderador: Bem-vindo,
Dr. Werner. O tópico esta noite é “Terapia
Combinada”. O senhor poderia começar explicando o
que isso significa?
Dr. Elliot Werner: Terapia
combinada refere-se ao uso de mais de uma droga para tratar uma
condição particular, porque a combinação
trabalha melhor que qualquer das drogas usada individualmente.
Moderador: Qual é a diferença entre terapia de
combinação livre e terapia de combinação
fixa?
Dr. Elliot Werner: Terapia de combinação livre
refere-se ao uso das drogas de modo que a dosagem de cada uma
pode ser variada independentemente das outras. Combinação
fixa refere-se ao uso das drogas em dosagens fixas ou padronizadas.
Se você quiser variar a dose em um tratamento de combinação
fixa, terá que variar a dose de todos os agentes ao mesmo
tempo.
Moderador: Quantas drogas são combinadas no tratamento
de combinação fixa?
Dr. Elliot Werner: A maioria das terapias combinadas fixa têm
duas ou mais drogas combinadas em uma única pílula
ou gota.
P: Quais são
algumas das drogas de combinação fixa?
Dr. Elliot Werner: Em glaucoma, o agente de combinação
fixa mais comumente usado é o Cosopt, que é uma
combinação fixa de Trusopt e timolol. Há
algumas combinações mais antigas, como E-pilo que
é uma combinação fixa de epinefrina e pilocarpina,
mas é raramente usada atualmente. Na Europa, há
o Xalcom, que é uma combinação fixa de Xalatan
e timolol, mas não está disponível nos Estados
Unidos. Eu acho que também está disponível
no Canadá.
P: Quais são as diferentes classes de drogas para glaucoma
e como elas diferem?
Dr. Elliot Werner: Há duas classes de drogas, os mióticos
(pilocarpina, carbacol) e as prostaglandinas (Xalatan, Travatan,
Lumigan), que reduzem a pressão intra-ocular aumentando
o fluxo, isto é, elas movem o fluido para fora do olho
mais rapidamente. Os beta-bloqueadores (timolol, Betagan, Betoptic),
adrenérgicos (epinefrina, Alphagan, brimonidina), e inibidores
de anidrase carbônicas (Diamox, Trusopt, Azopt, Neptazane)
abaixam a pressão intra-ocular (PIO) diminuindo a secreção
de humor aquoso.
P: Quando se começa uma terapia combinada, a idéia
é somar uma gota que tem função diferente
mas complementar?
Dr. Elliot Werner: As terapias combinadas ideais combinam dois
ou mais agentes que são aditivos, ou mais que aditivos,
nos seus efeitos. Algumas combinações diminuem a
eficiência se combinadas, como prostaglandinas e mióticos.
P: Algumas combinações fixas usam colírios
de companhias farmacêuticas diferentes?
Dr. Elliot Werner: A única combinação fixa
com a qual estou realmente familiarizado nos Estados Unidos é
o Cosopt, e ambos os agentes são feitos pela Merck. Em
alguns casos, como Xalcom, o Xalatan é feito pela Pfizer
e o timolol está genericamente disponível, assim
pode ser feito por qualquer um. Raramente as competitivas companhias
farmacêuticas cooperam para produzir uma combinação
fixa, a menos que uma companhia compre uma licença da outra.
P: Se uma gota não estiver funcionando, o senhor trocaria
a medicação do paciente imediatamente para uma gota
de combinação fixa, ou adicionaria a segunda gota
para ver se ajuda, e então trocaria para a combinação
fixa? Se os dois não trabalharem como uma combinação
livre, eles provavelmente trabalhariam em uma combinação
fixa?
Dr. Elliot Werner: Depende até que ponto a primeira gota
“não está funcionando". Se não
ajudar nada, isso é, a pressão é a mesma
antes e depois da droga, não há razão em
continuar o agente. Ele deve ser interrompido e uma nova droga
tentada. Se funcionar um pouco, mas não tão bem
como o desejado - quer dizer, abaixa a pressão mas não
tanto quanto você gostaria - então uma combinação
faz sentido adicionando-se outra gota. Se dois agentes não
funcionam juntos como uma combinação livre, eles
não trabalharão juntos como uma combinação
fixa também.
P: Há consenso sobre se terapia de combinação
livre ou fixa é mais efetiva?
Dr. Elliot Werner: Para obter aprovação do FDA
[nota do tradutor: FDA é órgão de controle
de medicamentos americano], uma combinação fixa
deve ser, pelo menos, tão efetiva quanto os dois agentes
administrados como uma combinação livre. Geralmente,
elas são igualmente efetivas, desde que a química
das duas drogas permita juntá-las em uma pílula
ou frasco. A vantagem principal das combinações
fixas é a conveniência para o paciente.
P: Se o senhor adicionar uma medicação, o senhor
também está adicionando efeitos colaterais? Há
vantagem nas combinações fixas em termos de efeitos
colaterais?
Dr. Elliot Werner: Provavelmente não. O quadro de efeito
colateral de combinações fixas e livres será
aproximadamente o mesmo. A vantagem principal das combinações
livres é que se você tiver efeitos laterais a um
agente, pode ajustar sua dosagem sem mudar a do outro.
P: Se uma gota não está mais atuando e outra gota
é adicionada, a gota original deveria ser interrompida
ou isso é arriscado?
Dr. Elliot Werner: Se a droga não atua mais, provavelmente
é melhor parar e trocar. Se ainda está tendo algum
efeito, mas não o suficiente, então você adiciona
outra gota. O real propósito da terapia combinada é
usá-la para tratar uma condição porque foi
demonstrado ser mais efetiva que qualquer terapia isolada. Isso
não é exatamente o caso em glaucoma.
P: O senhor poderia explicar?
Dr. Elliot Werner: O propósito da terapia combinada é
que foi mostrado ser muito mais efetiva que a terapia única
para uma condição particular, assim é rotineiramente
usada naquela condição. Não é o caso
no glaucoma, assim o uso do termo "terapia combinada"
é um pequeno equívoco.
P: Uma vez que o Cosopt [cloridrato de dorzolamida – maleato
de timolol] é uma combinação, ele seria uma
segunda opção após tentarem-se as drogas
separadamente?
Dr. Elliot Werner: Para glaucoma, sim, porque não há
evidência que usar Cosopt como um tratamento primário
seja melhor que uma droga única que abaixe a PIO adequadamente.
Isto é diferente de tuberculose, por exemplo, onde o tratamento
inicial com terapia combinada é muito mais efetiva que
qualquer agente isolado.
P: Não há menos preservativos em produtos de combinação
fixa?
Dr. Elliot Werner: Isto está correto, e é outra
vantagem potencial de produtos combinados. O maior obstáculo
para desenvolver produtos combinados para glaucoma tem sido interações
químicas das drogas quando em solução no
mesmo frasco, que tende a reduzir suas eficácias.
P: O senhor acha que os beta-bloqueadores deveriam ser evitados
no glaucoma pigmentar uma vez que, com menos humor aquoso, a densidade
de pigmentos livres aumentará? Nesse caso, o que poderia
ser acrescentado a um análogo de prostaglandina em um paciente
com glaucoma pigmentar?
Dr. Elliot Werner: Acho que isso é uma objeção
teórica, mas não foi demonstrada. Ambos, beta-bloqueadores
e prostaglandinas, podem ser muito seguros e efetivos em glaucoma
pigmentar.
Moderador: Dr. Werner, antes de sair, o senhor tem algum comentário
adicional sobre terapia combinada?
Dr. Elliot Werner: Terapia combinada, distinta de monoterapia,
é realmente mais importante no tratamento de doenças
diferentes de glaucoma. Por exemplo, foi mostrado que terapia
combinada é muito mais efetiva no tratamento da tuberculose,
AIDS, ou hipertensão severa – para relacionar algumas
- que a terapia única. Então, o tratamento inicial
dessas doenças normalmente envolve terapia combinada desde
o começo.
Glaucoma normalmente não é tratado com terapia
combinada como tratamento inicial. Nós começamos
com uma droga. Se isso for inadequado, nós adicionamos
outra. Mas ao contrário de algumas outras condições,
terapias combinadas não são tratamentos padrões
em glaucoma.
Moderador: Muito obrigado pelo seu tempo e grandes respostas.
Dr. Elliot Werner: De nada. Eu verei todos vocês da próxima
vez.
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