Exames de Imagem do Nervo Óptico Passado, Presente e
Futuro
Destaques da conversa
31 de maio de 2006
Edição: Norma Devine
Tradução: Francisco M.
Revisão Técnica: Dr. João França
Lopes
Na quarta-feira, 30 de maio de 2006, o Dr. Jeff Henderer , especialista
em glaucoma do Wills, e o grupo de conversa sobre glaucoma discutiram
“Exames de Imagem do Nervo Óptico Passado, Presente
e Futuro”.
Moderador: O tópico
esta noite é “Exames de Imagem do Nervo Óptico
Passado, Presente e Futuro”.
P: O senhor pode
fazer um breve resumo dos sistemas de Exames de Imagem do Nervo
óptico?
Dr. Jeff Henderer: Os
três sistemas principais são a HRT (Tomografia de
Retina de Heidelberg), o GDx (Polarimetro de varredura à
LASER) e a OCT (Tomografia de Coerência Óptica).
A HRT olha o nervo óptico do modo que eu olharia o nervo;
quer dizer, mede a quantidade de borda do nervo versus a escavação.
O GDx e a OCT ambos medem a quantidade de tecido nervoso na superfície
da retina que cerca o nervo. Todos os três podem comparar
seu nervo óptico com um banco de dados padronizado para
ver se o seu difere.
[Nota da editora: a Tomografia de Coerência Óptica
é uma técnica de imagem sem contato e não
invasiva usada para obter imagens transversais de alta resolução
da retina.]
P: Como um suspeito de glaucoma durante aproximadamente três
meses, eu tive uma HRT no Wills realizada pelo Dr. Rick Wilson.
Uma OCT-3 proveria mais informação que a HRT?
Dr. Jeff Henderer: O OCT-3 é a mais recente versão
da máquina e, realmente, mede algo diferente da HRT. O
outro lado da moeda, por assim dizer. A OCT mede o tecido do nervo
na retina, enquanto a HRT mede o mesmo tecido à medida
que ele caminha para o nervo. Teoricamente, as duas máquinas
deveriam estar de acordo, mas na realidade este freqüentemente
não é o caso. O melhor resultado é a experiência
do médico. O Dr. Rick é tão experiente quanto
qualquer um no mundo.
P: Qual é a resolução de cada uma dessas
três máquinas?
Dr. Jeff Henderer: A resolução? Humm, bem, a OCT
é a única que realmente precisa de resolução
do modo que você tem em vista (como ao ver as camadas de
células), e é 9 mícrons. A HRT e o GDx não
medem o nervo em modos que são dependentes de resolução,
como eu entendo.
P: Estes sistemas novos podem ser usados como uma ferramenta de
diagnóstico, ou apenas para monitoramento?
Dr. Jeff Henderer: Ambos, de fato - - teoricamente. Porém,
usá-los diagnosticamente não é tão
fácil. Nós realmente acreditamos que a sua melhor
aplicação será no acompanhamento. Mas os
dados ainda estão sendo coletados para ver se a OCT e o
GDx são eficazes. Alguns dados indicam que a HRT é
útil. A HRT foi usada no Estudo de Tratamento de Hipertensão
Ocular (OHTS), e foi considerada ser capaz de predizer quem iria
desenvolver glaucoma.
P: Então HRT e GDx não são técnicas
de imagem? Eu não entendo.
Dr. Jeff Henderer: A HRT e o GDx são técnicas de
imagem, mas eles não funcionam como a OCT. A OCT mede a
profundidade do olho usando luz e assim pode distinguir as diferentes
camadas da retina. A HRT é como uma TAC (Tomografia Axial
Computadorizada) de varredura do nervo. Ela obtém seções
consecutivas através do nervo e os reconstrói em
3D. O GDx confia na polarização da luz ao atravessar
a camada de fibra nervosa e mede a mudança na polarização
da luz para determinar quanto tecido está presente.
P: O senhor obtém imagem dos nervos ópticos de todos
os seus pacientes de glaucoma? Eu estou perguntando por que eu
nunca fiz imagem dos meus nervos ópticos.
Dr. Jeff Henderer: Não é necessário obter
a imagem de todos os pacientes. Eu tendo a fazer isto porque estou
curioso se a imagem me ajudará. Eu não acredito
que tenha havido mais de um par de vezes quando me mostrou algo
que eu já não soubesse. Mas nós a temos usado
apenas durante poucos anos. Até mesmo o estudo do Glaucoma
de Tensão Normal (NTG) precisou de sete anos para mostrar
que o tratamento ajudou, assim nós não tivemos bastante
tempo ainda.
P: Um exame cuidadoso do nervo óptico por um especialista
em glaucoma ainda é considerado ser tão eficaz quanto
qualquer coisa disponível?
Dr. Jeff Henderer: Sim, é. Nossos cérebros ainda
são o padrão de ouro. Lembre-se que alguém
tem que programar a máquina para que ela saiba o que é
normal e o que não é. Se nós fazemos a programação,
como a máquina pode ser de alguma forma melhor do que nós
somos?
P: Com que freqüência o senhor recomenda fazer uma
HRT para pacientes que o senhor acredita se beneficiariam dela?
Dr. Jeff Henderer: Se eu não tiver nenhuma suspeita que
há mudança, eu gosto de fazer exames de imagem do
nervo óptico aproximadamente uma vez ao ano. Eu também
gosto de testar o campo visual uma vez por ano. Não há
nenhuma ciência por detrás disso; apenas minha prática
pessoal. O que eu tento fazer em toda visita é comparar
o nervo óptico do paciente às fotografias originais
do nervo óptico. Então, eu acredito que meu exame
também é uma forma de fazer um exame de imagem do
nervo óptico! Mas eu sou qualitativo. Eu tenho esperança
de quantificar o nervo, como eu quantifico o campo.
P: A Angiografia de Fluoresceína (AF) ainda é usada
e por que seria usada para glaucoma? [Nota da editora: Angiografia
de Fluoresceína é um estudo dos vasos sanguíneos
que provê informação útil para avaliar
muitas doenças oculares que afetam a retina.]
Dr. Jeff Henderer: A AF realmente não é feita mais
para avaliações de glaucoma, que eu tenha conhecimento.
P: Eu fiz fotografias estereográficas em minha primeira
visita ao Wills Eye Hospital. As fotos são apenas para
documentar meu estado atual para comparação futura,
ou as fotos mostram coisas não visíveis na observação
direta pelo médico?
Dr. Jeff Henderer: Primariamente, o primeiro. Ocasionalmente eu
vi fotos que revelaram algo perdido inicialmente, mas isso não
é comum. Porém, como o Dr. Spaeth ensina, "Você
só vê o que procura, e você só procura
o que conhece”.
P: Com que freqüência o senhor fotografa o nervo óptico
de um paciente?
Dr. Jeff Henderer: Eu raramente repito as fotos, a menos que haja
algum item de interesse ou mudança. Eu passei a fazer exames
de imagem do nervo anualmente em lugar disso, mas eu ainda gosto
de tirar fotos no início.
P: Que outros testes podem ter sido feitos no passado para avaliar
o glaucoma, mas agora estão ultrapassados?
Dr. Jeff Henderer: Bem, há o teste de beber água
e a tonografia.
Moderador: Teste de beber água?
Dr. Jeff Henderer: Eu imagino o objetivo era ver se sua PIO aumentaria
se você bebesse muita água. Também há
o teste do escuro para ver se suas pupilas dilatavam em um quarto
escuro o bastante para causar um ataque de glaucoma. Esse não
é muito usado.
P: O que é tonografia?
Dr. Jeff Henderer: A idéia era pressionar o olho e medir
a taxa da diminuição na PIO (pressão intra-ocular)
para ver se a resistência ao fluxo do olho era anormal.
Eu confesso não saber muito sobre estes testes de qualquer
forma, uma vez que eu nunca os usei.
[Nota da editora: Tonografia é uma medida contínua
da pressão intra-ocular para determinar a facilidade do
fluxo aquoso, usado para determinar a presença de glaucoma.]
P: A PIO não aumenta quando o senhor pressiona o olho?
Dr. Jeff Henderer: Bem, isso é um bom ponto. Inicialmente,
sim, mas faça isso tempo o bastante e eventualmente você
força fluido para fora do olho e a PIO abaixa.
P: Eu ouvi falar do teste do quarto escuro e também sobre
terem pacientes suas cabeças penduradas em cima de uma
mesa. O teste do Glaucoma seguramente mudou, e mudou em o que
parece um curto período.
Dr. Jeff Henderer: O glaucoma finalmente está alcançando
outras áreas da oftalmologia. Nós esperamos que
possamos um dia sermos capazes de determinar (1) quem tem a doença,
(2) quem vai perder visão, (3) medida contínua da
pressão intra-ocular para determinar a facilidade de fluxo
aquoso, usado para determinar a presença de glaucoma e
qual tratamento funcionará melhor, e (4) como não
fazer os pacientes piorarem com o tratamento, que, como você
sabe, às vezes pode acontecer.
P: O senhor sempre mostra aos pacientes suas fotos ou imagens,
ou só se eles pedirem?
Dr. Jeff Henderer: Eu gosto de mostrar aos pacientes suas fotos.
Isso não é tão fácil com diapositivos,
mas em um consultório eu os tenho exibidos na tela do computador,
e eu posso mostrar aos pacientes exatamente o que eu estou observando.
Eu acho isso ser muito útil para os pacientes.
P: Há alguma técnica de imagem não óptica
em uso ou desenvolvimento?
Dr. Jeff Henderer: Eu acredito pessoalmente que ser capaz de medir
o metabolismo celular é o Santo Cálice na pesquisa
de glaucoma. Na falta disso, se nós pudermos detectar células
agonizantes, isso seria ótimo. Como isso será feito
não está claro. A outra opção seria
simplesmente contar o número de células ganglionares.
Se você pudesse fazer isso, que mais você precisaria?
P: Eu estou intrigado pelo seu comentário sobre medir o
metabolismo celular ser o Santo Cálice na pesquisa de glaucoma.
Eu tenho a vaga memória que a RM (Ressonância Magnética)
no P31 (ao invés do H1 como normalmente feito) pode fornecer
a imagem da taxa metabólica relativa. P31 é um sinal
mais fraco, de qualquer forma, e eu não estou certo quão
detalhado uma imagem ele proveria.
Dr. Jeff Henderer: Você sabe mais do que eu sobre isto,
mas se nós pudéssemos fazer um PET scan (Tomografia
de Emissão de Positron) do olho - e a resolução
dos PET scans não é boa o bastante para olhar em
detalhes a retina, como nós gostaríamos - isso seria
espetacular. Mas o custo! E as substâncias químicas
que você tem que tomar! Nós precisamos de um marcador
substituto, como saturação de oxigênio. Jon
Myers está envolvido com um dispositivo de saturação
de oxigênio que talvez ajude deste modo.
P: Eu tive uma OCT. repetida recentemente. O técnico pareceu
competente, mas a análise comparativa mostrou uma espessura
aumentada em muitas áreas, como também perda em
outras. A espessura aumentada não é provavelmente
um produto artificial?
Dr. Jeff Henderer: Sim, você não pode crescer novo
tecido de nervo óptico. Você ilustrou a ruína
de minha existência! Não há nenhum dado que
nos diga quanta mudança é significante, ou realmente
até mesmo qualquer dado para mostrar quanta variabilidade
você pode esperar em pacientes reais de teste para teste.
É claramente não tão bom quanto a companhia
o faria acreditar. Mas eu estou procurando tendências. Lembre-se
que a qualidade da imagem tem que ser boa, também.
P: Há evidência que tecido novo do nervo óptico
novo possa ser cultivado?
Dr. Jeff Henderer: Há dados em animais (e em Christopher
Reeve) que a cabeça e a espinha dorsal podem, na realidade,
regenerar-se. Isso é muito excitante. Mas eu não
sei se, quando o rato recresce o tecido nervoso, é um nervo
que as células nervosas conectam ao cérebro de um
modo que faça sentido.
P: Se o senhor tivesse que dizer qual é o estado presente
dos exames de imagem do nervo óptico, o que diria?
Dr. Jeff Henderer: O estado presente? Minha resposta é,
à beira de grandes coisas. As ferramentas que foram desenvolvidas
fazem muito sentido. Agora nós só precisamos da
experiência para saber como os pacientes se comportam com
o passar do tempo. Isso nos ajudará a entender como determinar
a progressão.
P: O que é ultra-som de varredura B e por que é
usado?
Dr. Jeff Henderer: Uma varredura B é um ultra-som que gera
uma imagem, como um ultra-som durante a gravidez. Nós podemos
fazer imagem dos conteúdos internos do olho. Uma varredura
A apenas mede a distância da sonda a estruturas oculares.
É útil para determinar o grau do implante de lente
para a cirurgia de catarata e para fazer OCT.
P: A varredura B é útil para ver a forma de um descolamento
de vítreo?
Dr. Jeff Henderer: Bem, a varredura B pode provavelmente ver o
‘floater” (se você tiver sorte e capturá-lo
e se ele for grande o suficiente), e pode mostrar um descolamento
de retina, mas nós normalmente não o usamos para
procurar um DVP (Descolamento de Vítreo Posterior).
P: Um amigo meu teve um AccuMap feito no Wills Eye Hospital. O
que é isso?
Dr. Jeff Henderer: O AccuMap é uma nova máquina
de campo visual que não exige que você pressione
um botão. Você usa um dispositivo de monitoramento
de ondas cerebrais e você não tira os olhos da tela
do computador. O padrão das ondas cerebrais é registrado
e sua "visão" é então impressa.
Moderador: É mais preciso que um teste de campo visual
regular?
Dr. Jeff Henderer: O teste AccuMap pode parecer fácil,
mas pelo que eu ouço, não é. É entretanto
um conceito realmente elegante. Realmente, poderia ser mais sensível
que um teste de campo visual regular, mas nós não
temos experiência suficiente com ele para ter certeza. Ainda
é bastante novo.
P: Há qualquer teste que meça o fluxo de sangue
para o nervo óptico?
Dr. Jeff Henderer: Sim, o fluxo de sangue pode ser medido, mas
não é tão preciso quanto você gostaria
de acreditar. Além disso, você precisa de numerosos
utensílios particulares para medir o fluxo nos diferentes
locais no olho e nervo óptico. Então há o
problema do ovo e da galinha. A isquemia é a causa ou o
efeito do glaucoma? Não há nenhuma resposta para
isso, mas eu posso dizer a você que às vezes há
evidência razoável de que o fluxo de sangue é
um problema. Porém, em outros (como neuropatia óptica
isquêmica ou um derrame do nervo), o problema do fluxo de
sangue não resulta em dano de nervo glaucomatoso.
P: Quando, por que, e como são realizadas contagens de
célula endotelial?
Dr. Jeff Henderer: Células endoteliais são as células
que demarcam o interior da córnea e servem para desidratar
a córnea para que fique transparente. Você as contaria
se tivesse uma doença onde elas morressem, ou se achasse
que uma cirurgia poderia matá-las e fazer a córnea
inchar. Há uma câmara óptica que fornece imagem
delas.
P: Considerando que eu tenho ICE (Síndrome Endotelial Iridocorneal),
eu sempre desejei saber por que eu nunca tive uma contagem de
célula endotelial.
Dr. Jeff Henderer: Bem, não há provavelmente muito
propósito, porque não há nenhum modo de recultivá-las
e na ICE elas são anormais. Você guia-se por como
a córnea está e intervém baseado em razões
clínicas, em lugar de contagens de célula.
P: É possível obter imagem diretamente das células
do nervo no ambiente natural, ou a imagem atual é mais
"macro” (apenas estrutura bruta)?
Dr. Jeff Henderer: É possível ver células
ganglionares agonizantes ao vivo (em animais) usando técnicas
especiais iniciadas na Inglaterra. Não está pronta
para seres humanos, mas definitivamente é excitante. O
estado atual ainda não está ao nível celular.
Isso pode vir um dia com a OCT de alta resolução.
P: A fotografia do nervo óptico ainda é o padrão
de análise?
Dr. Jeff Henderer: Eu acredito que sim. Eu deveria dizer que alguma
forma de registrar o nervo é o padrão de cuidado.
Fotos são minha preferência.
P: Historicamente, o primeiro exame de imagem do nervo não
teria sido fotografia?
Dr. Jeff Henderer: Sim, fotos ainda são consideradas o
padrão de cuidado. Quer dizer, fotos estereoscópicas.
P: O senhor diria que o exame de imagem do nervo óptico
está em sua infância, e nós veremos melhoria
com o passar do tempo?
Dr. Jeff Henderer: Sim! Eu acredito pessoalmente que no futuro,
nós mediremos seu perfil genético para ver que risco
você tem e contar suas células ganglionares para
ver se você as está perdendo a uma taxa que excede
a normal. Eu não sei se nós precisaremos de testes
de campo visual. Mas meus desejos são um sonho no momento.
Moderador: Obrigado, Dr. Henderer. Sempre é um prazer tê-lo
aqui.
Dr. Jeff Henderer: Vocês são incríveis! Grandes
perguntas. E eu espero estar novamente aqui em julho.
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