O HRT: Uma Maneira Melhor de Examinar o Nervo Óptico
no Glaucoma?
by Jeffrey Henderer, MD
Ken Parker, PhD
Os
especialistas em glaucoma do Wills Institute e de outros locais
estão sempre buscando melhores maneiras de determinar se
um indivíduo é definitivamente portador de glaucoma
e, caso o seja, qual é o seu tipo de glaucoma. Só
quando têm as respostas para estas perguntas podem sugerir
o melhor tratamento para um indivíduo. A única maneira
de terem respostas para estas perguntas é realmente examinar
o nervo óptico para ver se e como ele foi danificado.
Avaliando o Dano ao Nervo Ótico
O dano típico ao nervo óptico que ocorre no glaucoma
é conhecido como “escavação”.
Quando as células que formam o nervo morrem, devido pelo
menos em parte a uma pressão intraocular grande demais
para esse olho tolerar, elas morrem e desaparecem. Quando um número
suficiente destas células se vai, deixa atrás de
si uma pequena “cratera” ou “escavação”
no nervo. Uma porção do nervo parece ter sido “escavada”.
Então, uma coisa importante que os médicos buscam
quando examinam o nervo óptico é a presença
e a extensão da “escavação”,
qual a sua profundidade e amplitude.
Os especialistas em glaucoma podem ter uma boa idéia da
quantidade de escavação em um nervo óptico
examinando-o com um instrumento conhecido como oftalmoscópio.
Podem ter uma idéia se a escavação está
permanecendo estável ou piorando, tirando uma série
de fotografias no correr do tempo. Mas estes métodos têm
uma limitação importante. Só podem sugerir
a dimensão da escavação, da mesma maneira
que uma fotografia aérea comum de uma cratera pode nos
dar apenas uma idéia aproximada da profundidade da cratera.
Podemos ter uma idéia muito melhor da profundidade da escavação
ou cratera tirando uma fotografia estereoscópica. Isto
nos permitiria realmente avaliar qual a extensão do dano
ao nervo.
O HRT e Como Ele Funciona
Os médicos do Serviço do Glaucoma estão
agora examinando os pacientes com um instrumento que pode dar
informações mais detalhadas sobre a estrutura tridimensional
da escavação – o Tomógrafo de Retina
de Heidelberg (HRT). O HRT usa um laser especial para tirar fotografias
tridimensionais do nervo óptico e da retina circundante.
Este laser, que não é suficientemente poderoso
para danificar o olho, é direcionado em primeiro lugar
para a superfície do nervo óptico e capta essa imagem.
Depois é direcionado para a camada exatamente abaixo da
superfície e capta a sua imagem. O HRT continua a captar
imagens das camadas cada vez mais profundas até que a profundidade
desejada seja atingida. Finalmente, o instrumento recolhe todas
as fotos das camadas e as reúne para formar uma imagem
tridimensional de todo o nervo óptico.
Você pode imaginar seu nervo óptico como uma pilha
de panquecas e que está olhando a pilha de cima. Primeiro,
você só consegue ver a panqueca de cima. Uma fotografia
comum tirada do mesmo ângulo evidentemente também
só captaria a panqueca de cima. Para ver ou fotografar
a panqueca seguinte, você tem de remover a de cima. Mas,
usando a luz laser, só temos que mudar o foco da camada
de cima para a camada imediatamente inferior.
O HRT tira 32 fotos, camada por camada, da superfície
do nervo óptico de 0,5 mm a 4,0 mm de profundidade nas
estruturas oculares. O computador então empilha todas as
fatias em uma impressão em papel reconstruída que
parece um mapa traçado para representar as colinas e os
vales de uma área geográfica. Por meio de áreas
de codificação coloridas de elevação
e depressão, o HRT proporciona uma representação
bidimensional do que parece a pilha original, tridimensional.
A imagem do HRT pode ser usada para computar coisas como a área
do disco óptico (a parte do nervo óptico que fica
atrás do olho), o volume da escavação, e
também a área da borda que fica em torno da escavação.
Estes números podem então ser usados de duas maneiras.
Em primeiro lugar, eles podem mostrar medidas suficientemente
diferentes do normal para ajudar no diagnóstico de glaucoma.
Como as mudanças no nervo ótico são com freqüência
o primeiro sinal de glaucoma e podem preceder mudanças
no campo visual, pode-se conseguir diagnosticar mais cedo a doença.
Em segundo lugar, as medições podem ser realizadas
no correr do tempo, fazendo-se uma série de testes –
de uma forma parecida como captar uma série de campos visuais.
São então computadas as mudanças na profundidade.
Várias mudanças podem indicar uma piora ou melhora
da doença.
Problemas com o HRT
Apesar das aparentes vantagens das imagens obtidas com o HRT,
como qualquer novo método de observação,
vários outros fatores precisam ser considerados. É
fácil de fazer? É preciso? É melhor do que
qualquer das outras técnicas disponíveis?
Um problema é que, ainda que o teste só demore
alguns segundos para ser realizado, qualquer movimento do paciente
(incluindo mover o olho, piscar ou mover a cabeça) vai
alterar o caminho do laser, prejudicando assim a qualidade da
imagem. Do mesmo modo, se o paciente não se concentra no
mesmo lugar de teste para teste, o ângulo da imagem vai
mudar e isso vai afetar muito as medições.
Em segundo lugar, as imagens criadas pelo HRT devem ser reprodutíveis.
Ou seja, imagens diferentes tiradas mais ou menos ao mesmo tempo
devem ser quase idênticas. Informações limitadas
disponíveis até hoje sugerem que elas o são.
Mas a extensão dos nervos ópticos “normais”
é suficientemente ampla para dificultar bastante encontrar
medidas que indiquem definitivamente um “glaucoma precoce”.
Nenhum teste é 100% preciso na distinção
do normal do anormal, e o HRT não é uma exceção.
Vários estudos têm sido feitos aplicando várias
fórmulas à figura do nervo óptico”,
e, no local certo, a máquina consegue separar com razoável
acurácia um nervo óptico “normal” de
um nervo óptico com “glaucoma”. Mas, mais uma
vez, a variabilidade entre os olhos é tão grande
que às vezes é difícil saber com certeza,
por uma imagem do HRT, se o nervo óptico está realmente
danificado. Por isso é tão difícil a comparação
para determinar a mudança.
Em terceiro lugar, a máquina ainda não foi usada
tempo suficiente para provar ser melhor do que seu médico
tirar uma série de fotos do nervo óptico e examiná-las
cuidadosamente. Entretanto, com o passar do tempo o HRT pode proporcionar
uma comparação mais objetiva, e a pesquisa no Wills
é contínua sobre este tema.
Instrumentos para Medir o Fluxo Sangüíneo no Olho
Além de aparelhos para captar imagens do nervo óptico,
vários instrumentos têm sido desenvolvidos para medir
o fluxo sangüíneo em várias partes do olho.
A idéia é que, além de a pressão aumentada
dentro do olho reduzir o fluxo sangüíneo, ela pode
também resultar em dano às células do nervo
óptico. Um desses instrumentos, intimamente relacionado
ao HRT, é o Fluxômetro Retinal de Heidelberg, ou
HRF. O HRF é similar ao HRT, pois ambos empregam um escaneamento
a laser para captar as imagens. Entretanto, o HRF é usado
para observar o fluxo sangüíneo nos pequenos capilares
próximos à cabeça do nervo óptico.
Isto é feito detectando-se as mudanças na freqüência
de som refletida pelo sangue fluindo. Tem sido relatado que a
velocidade do fluxo medida é alterada no glaucoma. Observe
que não se trata da totalidade do fluxo sangüíneo,
só da velocidade. Além disso, a área da retina
que está sendo medida pode não ter muito a ver com
o suprimento de sangue para o nervo óptico. Mas, apesar
destas limitações, estamos investigando o HRF como
um teste potencial na avaliação de pacientes com
glaucoma.
Outro instrumento de imagens que estamos investigando é
o Analisador do Fluxo Sangüineo Ocular. Tem-se relatado que
o fluxo sangüíneo ocular é reduzido em pacientes
com glaucoma com pressão intraocular normal. Este analisador
é um dispositivo pequeno que usa a luz para calcular o
fluxo sangüíneo coroidal do olho. Também pode
ser usado para, ao mesmo tempo, medir a pressão intraocular.
Este instrumento está sendo usado em vários estudos
clínicos para determinar o padrão de fluxo sangüíneo
durante o dia todo em pacientes que passam por uma avaliação
no Laboratório Diagnóstico do Serviço de
Glaucoma, e antes e depois de cirurgia de glaucoma em pacientes
para ver se o fluxo sangüíneo foi modificado.
Apesar de suas limitações, estes instrumentos são
evidentemente passos à frente no diagnóstico e no
manejo do glaucoma. O Serviço de Glaucoma acha que estes
dispositivos, e mais ainda os modelos da próxima geração,
têm um grande potencial. Estamos conduzindo estudos para
aprender como eles podem ser usados com maior eficiência
para detectar e prevenir danos adicionais do glaucoma.
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