Cicloterapia para Glaucoma em Estágio Final
por Richard P. Wilson
Uma Breve Explicação do Glaucoma
Glaucoma é um termo geral usado para descrever um grupo
de doenças do olho, todas as quais provocam uma pressão
dentro do olho maior do que o olho pode tolerar e ainda permanecer
saudável. De onde vem esta pressão? Na frente do
olho há um fluido aquoso que mantém o globo ocular
firme e seu conteúdo claro. Este fluido aquoso é
produzido por uma parte do olho chamada corpo ciliar. No olho
normal, o fluido flui constantemente para dentro e para fora do
olho, e há um perfeito equilíbrio entre o fluido
produzido pelo corpo ciliar e o fluido drenado através
do dreno do olho chamado malha trabecular. No glaucoma, por várias
razões, muitas delas ainda desconhecidas, o fluido não
flui adequadamente para fora do olho, na maioria das vezes porque
o dreno do olho, a malha trabecular, fica obstruída. O
olho continua a produzir humor aquoso normalmente, mas o fluido
não consegue sair do olho em uma velocidade normal, resultando
em uma pressão intraocular anormalmente alta. Quando a
pressão se torna alta demais (e este nível varia
de pessoa para pessoa), danifica o delicado nervo óptico
na parte posterior do olho. O nervo óptico transmite para
o cérebro o que o olho vê. Como as fibras do nervo
não se regeneram, o dano ao nervo óptico é
um problema sério. Infelizmente, a pressão pode
ficar muito alta, sem provocar nenhuma dor ou desconforto que
advirta o paciente. Quando o glaucoma é diagnosticado,
o médico determina o nível pressórico seguro
para cada indivíduo, e varia o tratamento em conformidade
com isso. O tratamento para glaucoma em geral é iniciado
com colírios especiais que ajudam a baixar a pressão.
Se este não for bem sucedido, devem ser considerados modos
de tratamento alternativos.
Ciclocrioterapia
Uma maneira de combater a pressão perigosamente alta em
um olho nos casos de glaucomas mais difíceis de controlar
é reduzir a quantidade de fluido produzido. É assim
que funciona a ciclocrioterapia. Lembre-se que o corpo ciliar
produz o humor aquoso no olho. A aplicação de uma
sonda com nitrogênio líquido a partes do corpo ciliar
literalmente congela esta parte do olho. Este congelamento detém
a produção de fluido daquela parte do corpo ciliar.
Espera-se que, com a menor produção de fluido, as
medicações possam manter a quantidade de fluido
produzida igual à quantidade de fluido drenada –
assim, a pressão permanece controlada.
A ciclocrioterapia é considerada cirurgia, ainda que não
seja feito nenhum corte ou incisão no olho. Por isso, está
associada a alguns riscos. O principal risco é que ela
não venha a controlar completamente a pressão. O
índice de sucesso é de 65% a 70% com um tratamento,
90% de sucesso após o segundo tratamento, e 95% com o terceiro
tratamento. Entretanto, 8% em um ano e 12% em 4 anos enfrentam
a principal complicação da ciclocrioterapia, ou
seja, que não seja produzido fluido suficiente após
a cirurgia, e o olho se torne mole demais. Os olhos que terminam
com esta complicação não são dolorosos,
mas a visão não irá além do “E”
maiúsculo no quadro, e poderá ser muito pior. Embora
a explicação deste procedimento possa ser alarmante,
os pacientes com glaucoma com freqüência se encontram
em uma situação em que não conseguem evitar
o risco. Em muitos casos, há menos risco em realizar o
procedimento do que em permitir que a pressão intraocular
permaneça alta. Os cirurgiões de glaucoma tomam
todas as precauções possíveis e em geral
preferem executar um procedimento que gere pouco congelamento,
em vez de um que gere demasiado congelamento.
O que Esperar?
Este procedimento é quase sempre realizado como um procedimento
ambulatorial, no consultório do médico. Ocasionalmente,
em algumas situações especiais, o paciente pode
ser hospitalizado antes do procedimento. A cirurgia é feita
sob anestesia local – de forma que o paciente fica acordado,
mas o olho a ser operado fica adormecido. A anestesia dura cerca
de doze horas, para que não haja dor durante e após
o tratamento. Depois que passa o efeito da anestesia, pode ocorrer
algum desconforto, que pode ser controlado com medicação
analgésica.
Outra opção para controlar a dor é uma injeção
que vai entorpecer o olho durante cerca de três meses; esta
injeção elimina quase todo o desconforto. As desvantagens
desta opção são que a pálpebra pode
ficar caída durante este período de entorpecimento,
e o nervo que aciona os músculos para o olho pode ser afetado.
Em cerca de 20% dos casos, o olho não se move tão
bem quanto se movia antes. Como a córnea também
fica entorpecida, pode secar e formar uma úlcera. Entretanto,
isto ocorre muito raramente, e só se o olho não
estiver piscando regularmente. Quaisquer efeitos colaterais devidos
ao entorpecimento provocado por esta injeção desaparecem
em dois ou três meses.
Depois do tratamento, os pacientes continuam a tomar as mesmas
medicações que tomavam antes da cirurgia. As únicas
exceções são a Pilocarpina e o Xalatan (colírio
colocado na hora de dormir), que devem ser descontinuados depois
do tratamento. São acrescentados às medicações
do glaucoma um colírio que vai permitir o repouso do olho,
e um colírio para a inflamação. Depois da
ciclocrioterapia são dadas instruções explícitas
sobre o cuidado pós-operatório.
É normal os pacientes se sentirem ansiosos e preocupados
com relação a este procedimento. Por isso, é
fundamental uma boa comunicação com o oftalmologista
responsável sobre os benefícios e os riscos da ciclocrioterapia,
assim como sobre os tratamentos alternativos.
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