Alguns Medicamentos Podem Prejudicar os Pacientes de Glaucoma
George L. Spaeth, MD
Três classes de medicamentos podem ser prejudiciais para
indivíduos que têm glaucoma ou são predispostos
a desenvolvê-lo: primeiro, a cortisona, ou drogas tipo cortisona;
segundo, drogas que baixam a pressão arterial ou afetam
o fluxo sangüíneo; e, terceiro, drogas que provocam
a dilatação da pupila. A palavra “pode”
é muito importante aqui, pois os riscos variam dependendo
da droga, de como ela é usada, do tipo de glaucoma e do
indivíduo em questão.
Cortisona
Uma importante classe de medicamentos de preocupação
potencial para os pacientes de glaucoma é a cortisona,
nome genérico dos hormônios e das drogas fabricados
para imitar os hormônios adrenais produzidos pela glândula
adrenal. Muitas drogas tipo cortisona são amplamente usadas
para tratar várias condições, como asma,
urticária, artrite e outras condições inflamatórias.
Quando estes agentes são aplicados à pele ou tomados
via oral ou injetável, em geral implicam pouco risco às
pessoas com glaucoma. Como a quantidade de elevação
da pressão é quase sempre leve, e a duração
do tratamento com estes medicamentos usualmente breve, a maioria
das pessoas com glaucoma não precisa consultar seu oftalmologista
ou checar sua pressão intraocular simplesmente porque estão
usando estes produtos por um período curto.
Em contraste, se o glaucoma de uma pessoa é instável
ou avançado, e por isso qualquer elevação
na pressão pode ser prejudicial, ou se o tratamento com
produtos de cortisona dura mais do que um mês (como pode
acontecer quando eles são usados para tratar asma ou problemas
crônicos de pele), os indivíduos com glaucoma não
devem deixar de dizer ao seu oftalmologista que estão usando
estes produtos.
O perigo potencial da cortisona para os pacientes de glaucoma
aumenta quando ela é usada na forma de colírios.
Pessoas com vários tipos de glaucoma – sobretudo
o glaucoma do tipo mais comum, primário, de ângulo
aberto – podem ser seriamente prejudicadas por colírios
de cortisona. Cerca de um terço dos portadores de glaucoma
desenvolverão uma elevação na pressão
em resposta a um colírio de cortisona quando usado quatro
vezes ao dia durante um mês.
Este tipo de pressão na resposta aos colírios ocorre
lentamente. Na maioria dos casos, os colírios ofensores
precisam ser usados por cerca de um mês antes de afetarem
significativamente a pressão intraocular. Os colírios
de cortisona devem ser usados com a devida cautela em todo mundo,
mas especialmente naqueles com glaucoma de ângulo aberto
ou uma predisposição a glaucoma primário
de ângulo aberto.
Também pode surgir um problema naqueles que são
submetidos a um “procedimento por filtragem protegida”,
uma operação em que é feito um novo dreno
na parede do olho para permitir a drenagem do fluido na parte
frontal do olho (o humor aquoso), reduzindo assim a pressão
no olho. Usar colírio de cortisona durante mais ou menos
um mês após a cirurgia é essencial para o
sucesso da operação, porque ele ajuda a impedir
a cicatrização dos tecidos afetados. Se estes tecidos
cicatrizassem, como ocorreria normalmente, o dreno criado pela
cirurgia se fecharia. A cortisona tende a evitar que isto aconteça.
Entretanto, se a operação fracassar apesar do uso
da cortisona, e o fluido não conseguir sair do olho, as
gotas de cortisona podem na verdade ter um efeito nocivo, provocando
a elevação da pressão. Uma das razões
por que os oftalmologistas precisam examinar os pacientes periodicamente
após uma cirurgia de glaucoma é para avaliar a necessidade
e a segurança do colírio de cortisona, e ajustar
seu uso adequadamente para cada paciente.
Medicamentos Usados para Baixar a Pressão Arterial
Às vezes pode se desenvolver dano ao glaucoma se o nervo
ótico for privado da nutrição que necessita,
provocando a morte das células do nervo. Por exemplo, em
pessoas com glaucoma, uma redução repentina da pressão
arterial pode privar o nervo óptico do sangue necessário,
reduzindo assim a nutrição do nervo e causando danos
ao nervo ótico.
Pela mesma razão, os medicamentos usados para reduzir
a pressão arterial elevada podem causar problemas para
pessoas com glaucoma. Por isso, aconselha-se os pacientes de glaucoma
tentar controlar sua pressão arterial por meios não
médicos - reduzindo o peso ou se exercitando. É
claro que ter uma pressão arterial normal é essencial
para a boa saúde, e se essas modificações
no estilo de vida não forem eficazes, poderá ser
necessário o uso de medicamentos.
Seja como for, os pacientes com glaucoma devem informar seus
médicos da atenção primária de que
têm glaucoma, pois alguns médicos podem não
estar plenamente informados dos perigos da redução
precipitada da pressão sangüínea para o paciente
de glaucoma. Conseqüentemente, aconselha-se que um paciente
com glaucoma severo, que necessite tomar medicamentos para pressão
arterial elevada, diga algo como, “Doutor, eu sei que preciso
baixar minha pressão arterial, mas espero que isto seja
feito de uma maneira que não piore o meu glaucoma.”
Não só os medicamentos que afetam a pressão
sangüínea são preocupantes. Qualquer coisa
que prive o nervo de nutrição pode provocar uma
aceleração no avanço do glaucoma. Por isso,
a nutrição, a viscosidade ou a espessura do sangue,
anemia e outros fatores podem afetar o progresso do dano do glaucoma.
Drogas que Dilatam a Pupila
Um grande número de drogas pode fazer a pupila aumentar
ou “dilatar”. Drogas que contêm atropina ou
produtos tipo atropina, agentes freqüentemente usados em
remédios e medicamentos para resfriado e para aliviar os
sintomas de problemas estomacais, podem provocar a dilatação
da pupila quando tomados por boca. Muitas drogas que são
usadas para mudar o humor ou o estado emocional das pessoas, como
muitos dos chamados “tranqüilizantes”, também
podem ter este efeito. Lembre-se de que o fluido está constantemente
fluindo para dentro e para fora do olho. Se o fluxo para fora
do olho for bloqueado, a pressão dentro do olho aumenta.
Se a região onde ocorre a drenagem for estreita, os canais
de drenagem podem ser bloqueados pela íris quando a pupila
estiver dilatada. Por isso, as pessoas com “ângulos
da câmara anterior estreitos” correm o risco de desenvolver
pressão intraocular elevada quando suas pupilas são
dilatadas, como pode ocorrer no escuro ou quando elas usam colírios
ou medicamentos que dilatam a pupila.
Como dilatar a pupila pode provocar um ataque do glaucoma de “ângulo
fechado”, o Food and Drug Administration prescreve que os
fabricantes de drogas que possam provocá-lo coloquem no
rótulo destes medicamentos uma advertência de que
eles não devem ser usados em uma pessoa com glaucoma. Entretanto,
só mais ou menos uma vez por ano a maioria dos especialistas
de glaucoma vêem um paciente cujo ataque de ângulo
fechado parece ter sido desencadeado pelo uso de um remédio
frio ou alguma outra medicação que dilate a pupila.
O risco para as pessoas com o tipo mais comum de glaucoma nos
Estados Unidos – o glaucoma primário de ângulo
aberto – provocado pelas medicações que dilatam
a pupila é muito pequeno. Também não é
motivo de preocupação para aqueles que, tendo sido
diagnosticados com glaucoma de ângulo estreito ou ângulo
fechado, sofreram a abertura de um orifício em sua íris
(uma iridotomia periférica). Esta iridotomia, que é
feita com um laser ou cirurgicamente, elimina permanentemente
o problema. Se os indivíduos com ângulos estreitos
ou ângulo fechado sofreram uma iridotomia, dilatar a pupila
não fechará o ângulo.
Por isso, o comentário inserido na embalagem de que as
pessoas com glaucoma devem ser cautelosas no uso de determinadas
drogas nunca se aplica a ninguém que tenha sido diagnosticado
com o tipo mais comum de glaucoma, o glaucoma primário
de ângulo aberto. Aqueles que realmente correm o risco de
piorar com essas drogas são pessoas que têm um ângulo
estreito da câmara anterior, mas não sabem que o
têm e não estão sendo tratadas para isso.
Resumo
Os pacientes de glaucoma devem estar alertas para os potenciais
problemas de
- colírios de cortisona usados por mais de 3 semanas
- produtos sistêmicos de cortisona em uma pessoa com
dano por glaucoma severo
- medicamentos ou tratamentos que causam um redução
repentina e marcante da pressão arterial
- medicamentos que dilatam a pupila de uma pessoa que tem um
ângulo da câmara anterior estreito e não
fez uma iridotomia periférica ou outro tratamento apropriado
para o ângulo estreito.
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