Trabeculectomia
por Richard P. Wilson
Uma maneira de aliviar a pressão perigosamente alta em
um olho com glaucoma é fazer um novo dreno no olho, uma
derivação para a drenagem natural bloqueada. Isto
é chamado trabeculectomia e é um procedimento cirúrgico.
Assume a forma de uma válvula no alto do olho, com a parte
branca do olho oculta sob a pálpebra superior. A pressão
do olho é aliviada porque o fluido pode agora ser drenado
através da nova válvula. Uma trabeculectomia é
em geral feita com anestesia local. Um anestesista administra
medicação intravenosa para relaxar o paciente e
reduzir o desconforto das injeções anestésicas
locais. Uma injeção de anestésico local entorpece
o olho completamente, para que ele não se mova durante
a cirurgia nem sinta qualquer dor. Se preferido, o anestesiologista
pode administrar uma anestesia geral, mantendo o paciente dormindo
durante toda a operação. Na maioria dos casos, a
cirurgia demora de 35 minutos a uma hora.
As vantagens da anesthesia local são:
- menos dor depois da cirurgia se for usada uma anestesia local
de ação prolongada
- ausência de ferimento na garganta devido ao tubo aéreo
usado na anestesia geral
- um retorno rápido ao alerta normal sem a náusea
e a sensação de torpor em geral sentida depois
de anestesia geral
- risco menor que uma anestesia geral, especialmente no idoso
ou em pacientes com problemas de saúde
A anestesia geral é muitas vezes reservada a crianças,
a pacientes com muita ansiedade com relação à
cirurgia e a pacientes com senilidade ou com um problema de linguagem
que os impeça de falar com a equipe de anestesia.
Há dois problemas importantes com a trabeculectomia. Se
o cirurgião fizer um orifício que atravesse todas
as paredes do olho para drenar o fluido, nos primeiros dias após
a cirurgia demasiado fluido será drenado e a pressão
pode cair a zero. Isto é difícil para o olho se
ajustar e com freqüência resulta em problemas. Para
evitar isto, uma capa da esclerótica (o revestimento branco
externo do olho) é colocado sobre o orifício de
drenagem para limitar a quantidade de fluido que sai do olho depois
da cirurgia. Isto em geral reduz de uma maneira controlada a pressão
dentro do olho e permite que o olho se ajuste à pressão
mais baixa. Entretanto, o corpo reage do mesmo modo a qualquer
corte. Tenta curar o corte. Se o paciente tiver uma forte capacidade
de cura e produzir muito tecido cicatricial, então essa
capa vai se colar ao orifício de drenagem e a pressão
no olho vai tornar a subir, necessitando de um retorno aos colírios
e possivelmente a comprimidos para controlar a pressão.
Se a válvula se colar totalmente e o novo dreno ficar assim
totalmente impedido de funcionar, o paciente volta para o estágio
onde começou. O olho em geral não perdeu nenhuma
visão, mas acabará perdendo, a menos que a pressão
seja reduzida. Nessa circunstância, em geral é feita
novamente uma trabeculectomia com a adição de 5-FU
ou mitomicina, medicações que costumam retardar
o processo de cicatrização. Se o cirurgião
achar que o paciente pode cicatrizar muito rapidamente porque
é jovem, negro, tem inflamação intraocular
ou já fez cirurgia anterior no olho, uma destas medicações
é freqüentemente administrada com a primeira trabeculectomia.
Os resultados variam enormemente. No entanto, como regra geral,
cerca de 50% dos pacientes trabeculectomizados terão pressões
normais e não necessitarão de medicações
durante um ou mais anos após a cirurgia. Se forem acrescentadas
medicações, o índice de sucesso do procedimento
é maior que 90%.
O segundo problema mais comum está relacionado à
saúde do olho. Como o dreno do olho, a malha trabecular,
ficou bloqueado, o olho teve apenas que produzir uma quantidade
limitada de fluido para manter a pressão elevada. Muitas
medicações usadas antes da cirurgia também
reduzem a capacidade do olho de produzir fluido. Depois da trabeculectomia,
a parte do olho que produz fluido deve se ajustar rapidamente
a um dreno no olho de tamanho normal ou ligeiramente maior que
o normal, e aumentar sua produção de fluido. Em
pacientes mais velhos, especialmente se o olho não está
saudável, ele pode não conseguir fazer este ajustamento
rapidamente. Então, o equilíbrio entre o fluido
produzido e o fluido drenado é perdido: o novo dreno funciona
bem, mas o olho não está produzindo fluido suficiente
para manter a parte da frente cheia e pouco a pouco começa
a entrar em colapso. Neste ponto, há várias opções.
Se o olho parece estar produzindo uma quantidade moderada de fluido,
em geral a espera cautelosa vai permitir ao olho pouco a pouco
produzir mais fluido e reabastecer a câmara anterior do
olho. Se após vários dias isto não parecer
acontecer, o cirurgião pode injetar fluido na câmara
anterior do olho para reabastecê-lo. Com freqüência
o fluido de entre as camadas do olho deve ser drenado para dar
espaço ao preenchimento da câmara anterior do olho.
Esta reforma da câmara anterior do olho freqüentemente
estimula o olho a uma produção mais normal de fluido.
O fluxo de fluido através do novo dreno é fundamental.
A incisão no olho se comportaria como uma incisão
na perna ou em outra parte e o curaria imediatamente caso a pressão
do fluido não tivesse forçando o orifício
e mantendo-o aberto. Por isso, caso transcorram vários
dias sem uma quantidade adequada de fluido, o dreno vai imediatamente
curar. Quando o fluido mais uma vez é conduzido a um nível
normal, o dreno ficará pequeno demais ou completamente
fechado, e a pressão intraocular aumentará.
Depois da cirurgia, são usados colírios para relaxar
o músculo no olho, para prevenir infecção
e para retardar a recuperação. Estes são
importantes no cuidado pós-operatório e com freqüência
podem fazer muita diferença no sucesso do procedimento.
Os resultados da cirurgia de trabeculectomia variam muito, e em
geral dependem tanto da resposta do corpo à cirurgia –
isto é, da inflamação que conduz a excessiva
recuperação ou cicatrização –
quanto da técnica cirúrgica.
Uma
trabeculectomia, isto é, um procedimento de filtração
cauteloso, permite que o fluido da câmara anterior do olho
(aquoso) escoe gradativamente através de um pequeno orifício
na parede do olho (esclerótica) coberto por uma fina capa
do próprio tecido do paciente. A resultante reserva de
fluido fora da esclerótica que pressiona a camada mais
externa fina e transparente do olho (conjuntiva) chama-se bolha.
O humor aquoso escoa desta área para as veias e os vasos
linfáticos.
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