Entendendo o Glaucoma
Todo ano, milhões de pessoas no mundo todo ficam cegas
devido ao glaucoma. O que é esta doença e o que
pode ser feito a respeito dela?
Glaucoma é um grupo de condições em que
as células do nervo óptico da parte posterior do
olho morreram pelo menos em parte devido à pressão
dentro do olho (pressão intraocular) exercida pelo fluido
(humor aquoso) no olho, grande demais para as células do
nervo desse olho em particular conseguir tolerar. Cabe às
células do nervo óptico da parte posterior do olho
transformar a luz que entra no olho em impulsos elétricos
que possam ser entendidos pelo cérebro. Se muitas dessas
células morrerem, parte da visão pode ser perdida.

Um disco saudável com uma escavação
diminuída e uma boa cor.
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Um disco glaucomatoso bastante danificado.
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Agora, pode parecer razoável que o oftalmologista possa
lhe dizer se você tem glaucoma simplesmente medindo a pressão
do seu olho (pressão ocular). E, na verdade, durante muitos
anos, o glaucoma foi definido como “uma condição
em que a pressão ocular está acima de 21 mm Hg (milímetros
de mercúrio, a unidade em que é medida a pressão
intraocular). "Por isso, o médico simplesmente media
a pressão e determinava se havia ou não presença
de glaucoma. Mas esse método de definição
do glaucoma estava extremamente errado! Noventa por cento das
pessoas diagnosticadas com glaucoma por esse método não
tinham dano no olho relacionado à pressão intraocular,
e um terço daqueles que tinham dano relacionado à
pressão foram excluídos porque sua pressão
estava abaixo do número mágico de 21 mm Hg.
Como o nível da pressão intraocular não
indica com certeza a presença de glaucoma, como pode ser
feito um diagnóstico preciso do glaucoma? A resposta é:
"Um diagnóstico de glaucoma é feito
detectando-se a presença de dano no tecido ocular relacionado
à pressão intraocular."
A pergunta crítica, então, é como o oftalmologista
detecta o dano ao tecido relacionado à pressão?
A resposta curta, porém importante, a esta pergunta é:
“Com dificuldade.” Não há teste de gravidez
para o glaucoma. Não há uma sonda indicadora. Não
há uma resposta fácil.
Uma das coisas que dificulta o trabalho do médico é
o fato de que, embora haja muitos sinais e sintomas dos vários
tipos de glaucoma, quase todos também podem indicar outros
tipos de condições, e não o glaucoma. Por
exemplo, o campo visual diminuído (a área visível
a uma pessoa – bem à frente, acima, abaixo e dos
lados) pode se dever a um descolamento da retina ou a esclerose
múltipla, ou a um nervo óptico que foi anormalmente
formado congenitamente. O nervo óptico pode ter uma forma
de tigela (que é chamada de “escavação”),
porque a pessoa nasceu com o nervo em forma de tigela, tem sífilis,
é míope ou tem glaucoma.
Não obstante, o tamanho da escavação óptica
está definitivamente relacionado com a presença
ou ausência de glaucoma: quanto maior a escavação
do nervo óptico, maior a probabilidade de a pessoa ter
glaucoma.
No tipo de glaucoma mais comum entre as pessoas nos Estados Unidos,
o nervo óptico pouco a pouco vai sendo danificado no decorrer
de um período de 10 a 30 anos. A perda das fibras do nervo
ocorre tão gradualmente que a redução na
visão em geral não é percebida até
metade das fibras ter morrido. Além disso, a área
da visão perdida primeiro fica no lado nasal e envolve
muito mais um olho do que o outro. Conseqüentemente, só
quando os dois olhos têm uma grande perda da visão
a pessoa afligida reconhece a perda. Ao contrário do que
muitas pessoas acreditam, a visão periférica lateral
é na verdade a última parte da visão a ser
perdida por uma pessoa que tem glaucoma.
Um exame criterioso e completo que leva em conta a origem familiar
de um paciente (pois o glaucoma parece ser hereditário),
a pressão intraocular, o campo visual e a condição
do nervo óptico, vai permitir ao oftalmologista, na maioria
dos casos, determinar com precisão se uma pessoa tem glaucoma.
Uma vez feita essa determinação, o médico
vai programar um plano de tratamento apropriado. Vai então
monitorar a aparência do nervo óptico, o campo visual
e a pressão intraocular para determinar se está
continuando a ocorrer algum dano adicional.
O tratamento em geral se destina a baixar a pressão intraocular
a um nível que não causará mais dano ao nervo
óptico. Às vezes, isto é realizado com colírios,
e outras vezes alterando alguns estruturas do olho com laser ou
com um bisturi. Embora muitos pacientes preferem o tratamento
com colírios porque parece ser menos traumático,
este nem sempre é o tratamento mais adequado para um determinado
indivíduo. Pode parecer “inofensivo”, mas,
dependendo do indivíduo, os colírios podem ter efeitos
colaterais importantes, tanto no corpo quanto no olho. Similarmente,
muitos pacientes acham uma cirurgia a laser preferível
a uma cirurgia com um bisturi, porque parece ser menos “invasiva”.
Mais uma vez, isto não é necessariamente verdade,
e a cirurgia com um bisturi pode ser preferível.
Existem pesquisas em andamento, inclusive aqui no Wills Eye Hospital
em Filadélfia, destinadas a aumentar: (1) o nosso entendimento
de por quê a pressão intraocular torna-se bastante
elevada em alguns indivíduos a ponto de danificar seu nervo
óptico, (2) nossa capacidade para diagnosticar com precisão
o glaucoma e (3) a eficácia do tratamento. Esta pesquisa,
juntamente com o cuidado tomado pelos indivíduos de examinar
regularmente seus olhos, vai minimizar muito os efeitos devastadores
do glaucoma.
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