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Entendendo o Campo Visual

por Jeffrey Henderer, MD

 

Click here for larger viewA retina, o tecido sensível à luz que fica atrás do olho, é composto de receptores, “fotorreceptores”, que transformam a energia da luz em energia elétrica.

 

A área central da retina é a mais sensível à luz, e enxergamos melhor o que está diretamente à nossa frente. As áreas mais periféricas da retina são menos sensíveis à luz, mas nos permitem enxergar, embora menos claramente, objetos situados do lado, acima ou abaixo da visão diretamente à frente. Aquilo que conseguimos enxergar do mundo que nos cerca é conhecido como nosso campo visual. Cada parte da retina “enxerga” uma parte particular do campo visual. Cada sinal do fotorreceptor é então captado por um nervo especial chamado célula ganglionar. As células ganglionares então transmitem o sinal para o cérebro via o nervo óptico, nos permitindo enxergar. Portanto, cada célula ganglionar é responsável por “conectar” uma porção da retina ao cérebro. Qualquer problema na função destas células vai bloquear a transmissão do sinal e tornar essa parte da retina e o campo visual que a acompanha menos sensível à luz.

As células ganglionares que compõem o nervo óptico são entidades vivas que requerem energia e nutrição. O glaucoma é um processo pelo qual as células do nervo óptico podem ser danificadas e morrer, pelo menos parcialmente, devido à pressão dentro do olho. Existem milhões destas células, e pode-se perder talvez até 40% delas antes de ter consciência de qualquer perda visual. Na verdade, um pequeno número de células morre a cada ano “naturalmente”.

Se os médicos se baseassem apenas no campo visual reduzido para detector glaucoma, eles deixariam de diagnosticar muitas pessoas com glaucoma inicial. Isto porque o campo é apenas uma parte de uma avaliação de glaucoma. Entretanto, o campo visual é importante para o diagnóstico e a categorização do glaucoma, para ajudar a desenvolver planos de tratamento e para estabelecer uma base para comparação futura. Se os médicos suspeitam que uma pessoa pode ter glaucoma (por exemplo, se a pressão intraocular não está dentro da variação normal e/ou o nervo óptico parece estranho), um teste de campo visual pode ajudar a confirmar ou descartar o glaucoma como a causa. Especialmente nos últimos estágios do glaucoma, o campo visual proporciona informações essências sobre se o glaucoma está estável ou piorando. Nestes estágios finais as mudanças no nervo óptico ficam difíceis de detectar. Por isso, a história e o campo visual proporcionam as informações essenciais necessárias para se entender o que está acontecendo.

 

Teste de Campo Visual (Perimetria)



Os testes de campo visual destinam-se a mapear o campo visual da pessoa, a documentar o nível de visão periférica. Como sabe a maioria dos pacientes de glaucoma, o teste consiste basicamente em responder cada vez que um lampejo de luz é percebido, o tempo todo olhando diretamente para frente. Entender as várias partes da impressão dos resultados, como estão mostrados aqui, é uma maneira de entender mais sobre o teste de campo visual.

 

A. Tipo de Teste  Enlarged view

 

O teste de campo visual ideal seria fácil de fazer, fácil de administrar e 100% confiável. Não temos esse teste, mas felizmente para todos envolvidos, os últimos anos viram melhoras substanciais em todas estas áreas. São especialmente bem-vindos ao paciente de glaucoma os testes mais rápidos e menos tediosos.

 

O Glaucoma Service do Wills Eye Hospital baseia-se agora quase completamente na perimetria automatizada de Humphrey, usando com freqüência um novo programa de teste conhecido como SITA. Este teste pode ser realizado em qualquer lugar, em cerca de 3 a 8 minutos, dependendo de se usamos o programa SITA Fast ou SITA Standard. Este novo programa não é adequado para todos os pacientes e alguns ainda estão sendo testados com estratégias mais antigas, mas ainda excelentes.

 

B. Informações para o Paciente  

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A acuidade visual do paciente e a idade são fatores importantes na obtenção de resultados confiáveis. O teste de campo visual deve ser realizado com a correção apropriada necessária para a visão de perto. Além disso, como a retina do olho normal torna-se menos sensível com a idade, é importante que a idade da pessoa que está sendo testada seja levada em conta. Ao examinar uma impressão do teste de campo visual vale a pena o paciente comprovar se estes dados estão corretos.


C. Parâmetros de Confiabilidade


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A impressão proporciona três tipos de informação para ajudar o médico a avaliar como a confiabilidade de um teste de campo visual reflete o campo visual real do paciente:

 

1) Perdas de fixação. Ao fazer um teste de campo visual, é muito importante que o paciente mantenha o olho que está sendo testado focalizado diretamente à frente. O médico quer saber como é a visão periférica, isto é, a visão dos lados – de cima e de baixo, da direita e da esquerda. Na prática, é difícil manter esta posição do olho durante muito tempo, pois a tendência natural é olhar para o lado, para a luz que está lampejando. Mas como muitos desses movimentos podem tornar o teste não confiável, a máquina registra quantas vezes o paciente afasta seu olho do centro.

2) Erros Falso-Positivos. Às vezes o paciente vai pressionar o botão indicando que ele viu um lampejo, quando na verdade não houve lampejo. É óbvio que esta informação equivocada prejudica seriamente a capacidade do teste de determinar o que o paciente está realmente enxergando. Uma razão por que o paciente pode indicar que viu algo, ainda que nada tenha sido mostrado, é que, como todos nós, ele quer ir bem nos testes. A máquina destina-se a testar esta tendência fazendo soar o bip ou o zumbido normal, mas não apresentando luz, tentando o paciente a pressionar o botão inadequadamente. Até dois falso-positivos podem tornar um teste não confiável.

3) Erros Falso-Negativos. Para aferir uma maior confiabilidade, o teste repete lampejos no mesmo ponto no mesmo e em diferentes níveis de intensidade. Se uma vez o paciente relata ter visto um lampejo em um certo ponto, mas não relata ver o lampejo de mesma intensidade no mesmo ponto da segunda vez que ele é mostrado, a confiabilidade do teste é reduzida. As pessoas que têm glaucoma podem ter flutuações normais na margem de perda do seu campo visual, e por isso estes tipos de erros não constituem realmente um problema.

 

D. A sensibilidade da retina não é uma questão de tudo ou nada. Às vezes, um lampejo relativamente fraco em um ponto particular que não pode ser visto torna-se visível se a intensidade da luz for aumentada. Através de lampejos de luz de variada intensidade, a máquina pode determinar o nível de sensibilidade da retina em cada ponto representativo do campo visual. Os números no diagrama impresso indicam o nível de intensidade requerida para permitir que o paciente veja o lampejo. Quanto maior o número, mais vaga a luz que pode ser vista.

 

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E. Um belo quadro do campo visual de uma pessoa é obtido designando-se uma sombra mais clara de cinza para os pontos no campo visual em que o paciente pode ver lampejos relativamente fracos (os números mais altos em ”D”), e uma sombra mais escura de cinza para os pontos em que um paciente pode ver apenas lampejos relativamente fortes. Aqui é apropriado indicar que todos os olhos têm um ponto cego (escotoma), em que o nervo óptico se conecta com a retina. Ele é “cego” porque não há receptores de luz neste ponto. O ponto cego no olho mostrado está indicado pela área escura na metade inferior esquerda neste impresso.


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F. Como está indicado em B, a sensibilidade da retina diminui com a idade. As caixas pretas neste diagrama indicam áreas em que a pessoa viu menos do que a maioria das pessoas da sua idade.

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G. Muitas outras condições além do glaucoma podem causar visão deficiente – por exemplo, catarata ou edema de córnea. Por isso, se o médico quer saber quanto da relativa insensibilidade à luz de um paciente se deve mais ao glaucoma do que a outra coisa, é importante “subtrair” estes outros fatores. Isto pode ser feito porque estas outras condições tendem a produzir um padrão similar de perda difusa do campo visual, enquanto o glaucoma tende a produzir áreas localizadas de perda de campo visual.

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H. Estes números indicam a extensão em que o campo visual está fora dos limites normais. Eles podem ser seguidos no correr do tempo para se ver a extensão em que ele está piorando.

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Há muitas outras razões além do glaucoma para um resultado anormal do campo visual: o teste foi realizado de maneira deficiente, o instrumento estava com defeito, o paciente não entendeu como fazer o teste, o paciente estava cansado, o defeito era real, mas não indica patologia, o defeito é responsável por alguma outra patologia além do glaucoma – por exemplo, tumor cerebral, esclerose múltipla, um problema vascular, um defeito congênito, uma infecção ou doença da retina, como degeneração da mácula, descolamento da retina ou inflamação. Ou o defeito pode ser um defeito falso, ou seja, na verdade não está presente!

 

Apesar das falhas do teste de campo visual, ele é a única maneira de documentar a perda visual real e se essa perda está progredindo ou permanece estável. Como tal, representa um papel indispensável na ajuda dos pacientes de glaucoma a manter sua visão.


Visão Ampliada do Campo Visual

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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